Ter�a, 07 de julho de 2026, 11:17h
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Homens e mulheres de todas as idades exerciam a democracia ao pedir com cantorias, faixas e cartazes, mais justiça social para o país.
Nas ruas, os gritos ecoam como se fosse a final da Copa do Mundo, mas não, o que se houve são as vozes de protesto de milhões de brasileiros indignados com a falta de respeito do poder público para com as necessidades básicas da população. Desde a semana passada, o Brasil é palco de umas das maiores manifestações populares já realizadas no país. O movimento pacífico, apesar de alguns atos isolados de vandalismo, pede mais investimentos em saúde, educação e segurança, além de melhorias no transporte público e o fim da corrupção.
Em Pelotas, a força do movimento pôde ser vista pela presença de mais de 12 mil pessoas no protesto iniciado no largo Edemar Fetter, em frente à prefeitura, e que seguiu pela rua General Osório até a avenida Bento Gonçalves,voltando pela rua Deodoro em direção a frente do mercado. “Movimentos como este são essenciais para garantir a mudança. É um direito do cidadão protestar e se eu pudesse estaria junto na rua, exigindo as melhorias necessárias. É a cidadania em ação”, garante a vice-prefeita Paula Mascarenhas. Conforme o prefeito Eduardo Leite, as reivindicações dos manifestantes serão avaliadas e, dentro do possível, respondidas.
Em meio ao olhar atento dos policiais, homens e mulheres de todas as idades exerciam a democracia ao pedir com cantorias, faixas e cartazes, mais justiça social para o país. Antes do início da manifestação, às 16h30, lojas e mercados fecharam as portas por motivo de segurança. Até o fechamento dessa edição, nenhum ato violento havia sido registrado. As universidades e institutos de educação também emitiram informes de suspensão das atividades em função do manifesto.
O protesto, que começou nas redes sociais e teve mais de 18 mil confirmações de participação até o começo da tarde de quinta-feira, foi intitulado “I Ato em apoio ao Movimento Nacional contra o aumento da passagem”. De caráter pacífico, o apelo por paz já era visto durante a manhã na atitude de uma manifestante que, prezando pelo valor ideológico do protesto, limpou uma pichação que havia sido realizada em uma das paredes do Mercado Central. Durante a manifestação pela Osório, os envolvidos também cantavam constantemente pedidos de “sem violência”, garantindo a tranquilidade.
Em Pelotas, a principal reivindicação foi contra o aumento das passagens de ônibus, além da melhoria do transporte público, mas os manifestantes garantem que estes são apenas dois dos focos do protesto. “Não é justo que paguemos um valor tão alto por um serviço tão ruim. É preciso mudanças e para isso é preciso que o povo vá para as ruas e exija seus direitos”, afirma a estudante Alice Moraes da Silva, 16 anos, ao questionar a qualidade do transporte público em Pelotas.
Já o pelotense Sadi Peters, 58 anos, acredita que o movimento é válido e histórico. “Sei que só daqui a 20 anos vai haver um movimento igual a esse. Nunca vi nada igual e estou muito orgulhoso de ser brasileiros”, considera. No Estado, outras cidades como Porto Alegre, Santa Rosa, Bagé, Santa Maria, Cruz Alta, Santa Cruz do Sul, Rio Grande, Alegrete, Ijuí, Cachoeira do Sul, Passo Fundo, Lajeado e São Leopoldo realizaram manifestações. Até o final do mês, outros municípios da região também vão aderir a causa.
Pelo país
Uma série de protestos mobilizou milhares de brasileiros em diferentes cidades do país nesta segunda-feira (17). Em São Paulo, os eventos reuniram pelo menos 65 mil pessoas. Em Belo Horizonte, entre 18 mil e 20 mil pessoas. Em Brasília, cerca de 10 mil pessoas se concentraram na Esplanada dos Ministérios. Com o mote “Não são apenas 0,20 centavos”, além de se posicionar contra o preço do transporte público, os protestos criticaram a condução da política brasileira, a corrupção e os gastos públicos com as obras para as copas das Confederações e do Mundo de 2014.
Na avaliação do professor da pós-graduação em política social da Universidade de Brasília (UnB) Vicente Faleiros, se é verdade que o "gigante acordou", como bradam os manifestantes em redes sociais e com cartazes durante os protestos, é preciso que ele não se cale até que o "modo de fazer política no Brasil" passe por mudanças radicais e sustentáveis.
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