Ter�a, 07 de julho de 2026, 05:07h
Home Variedades
Pelotas e municípios da região se uniram aos atos nacionais em busca reformas nas estruturas políticas
A rua mostrou as insatisfações. Ultrapassando dez dias de manifestações pelo país, os brasileiros reivindicaram desde mais qualidade no transporte público até punição às inúmeras denúncias de corrupção registradas nos últimos anos. Inflamadas pelos discursos vazios proclamados pelos gestores públicos desde o início dos atos, as manifestações começaram a modificar as atitudes nas esferas políticas do país nesta semana.
Em Pelotas, o primeiro ato em apoio as manifestações nacionais reuniu mais de 12 mil pessoas, que saíram em uma passeata pacífica pelo centro da cidade pedindo, principalmente, por melhores condições no transporte público do município. O segundo ato, realizado na quarta-feira (26), manteve o foco da primeira manifestação, mas adicionou como pauta a saída do deputado Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
A marcha pelo “#ForaFeliciano”, como intitulado pelos manifestantes, desmotivou alguns favoráveis ao protesto, que, mesmo sendo contra os projetos do deputado, acreditam que as reivindicações devam ter como base algumas necessidades políticas e de gestão do país. Ainda que mais de seis mil pessoas tenham confirmado presença no evento da rede social Facebook, a estimativa da Brigada Militar foi de aproximadamente três mil participantes no protesto.
“Parecia um carnaval”, essa foi a polêmica instaurada entre as discussões nas redes sociais sobre o protesto em Pelotas. Muitos manifestantes se orgulharam do segundo ato realizado, pois afirmaram que os participantes estavam mais engajados e com mais foco nas exigências, o que valoriza o movimento. Mas alguns divergem desta opinião, dizendo que o desacordo nas reivindicações, a discrepância nas atitudes dos diversos grupos que participaram do ato e a falta de informação dos manifestantes não favorecem a luta.
No final da tarde de terça-feira (25), o prefeito Eduardo Leite divulgou um vídeo e uma carta aos manifestantes. Na declaração, ele falou das ações feitas com relação ao transporte público em Pelotas e frisou que está em andamento a elaboração do edital de licitação do transporte público, como parte do Plano de Mobilidade Urbana do município.
Até o final do mês serão realizadas mais assembleias e manifestações, ainda sem horários definidos. O balanço do ato desta quarta-feira (26) contou com dois policiais militares feridos, três menores apreendidos, duas pessoas presas e três ocorrências de depredação a patrimônios públicos e privados.
Na região
Não foram só os pelotenses que saíram às ruas no sul do Estado. Os correspondentes do Jornal Tradição registraram manifestações em diversas cidades da região. A mais expressiva foi em São Lourenço do Sul, unindo cerca de mil pessoas no centro da cidade que entoavam pedidos por melhores condições nas áreas de saúde, educação e transporte público. Além dos lourencianos, a comunidade Canguçu também protestou. “Tudo que indigna é motivo para ir às ruas”, disse a estudante Manoela Huck, organizadora dos mais de 300 canguçuenses que, além de apoiarem o ato nacional, afirmaram que mesmo não sendo partidária, a caminhada era, sim, política. O movimento se mostrou bem preparado no município e já se organiza para as próximas manifestações.
Em Jaguarão, o destaque do protesto foi a participação dos manifestantes em uma audiência pública na Câmara de Vereadores. O grupo, com cerca de cem jaguarenses, saiu do Largo das Bandeiras, no dia 18, e seguiu até a Câmara, onde pediram uma audiência pública para o próximo mês, em que sejam debatidas com o poder público local questões de saúde, educação, infraestrutura urbana, entre outras.
Na capital farroupilha, Piratini, aproximadamente 200 pessoas se reuniram na Praça da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. A justificativa do baixo número de participantes foi o medo de retaliação no emprego ou até vergonha. “Isso tem que mudar. Não combatemos as pessoas e sim o sistema, a política como um todo”, justificou Francisco Bratz, um dos organizadores do protesto. A Ponte do Costa também foi ponto de manifestações nesta semana, quando um grupo impediu o trânsito no local por quase duas horas, em protesto ao alto número de acidentes e óbitos no trecho.
O avanço político
Na quarta-feira (26), os poderes políticos brasileiros começaram a responder aos atos nacionais populares. A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que destina 75% dos recursos dos royalties do petróleo para a educação pública e 25% para investimentos na saúde. Na terça-feira havia sido derrubada, devido à pressão das manifestações populares, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, que limitava os poderes de investigação do Ministério Público.
Proposto pela presidente Dilma Rousseff na segunda-feira (24), o debate agora é torno do plebiscito que servirá para "nortear" uma reforma política no país. Para saber mais, participe da enquete sobre o tema aqui no site do Jornal Tradição e confira a matéria especial sobre o plebiscito e as mudanças políticas decorrentes das manifestações na próxima edição.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados