Ter�a, 07 de julho de 2026, 01:41h
Home Variedades
Por uma hora e meia ele, que cresceu na favela em Porto Alegre, falou sobre o trabalho social frente à CUFA.
Sarcástico, irônico, engraçado. A linha adotada por Manoel Soares, 33 anos, ex-favelado, repórter da RBS TV, pode ser discutível, mas ele consegue prender a atenção da faixa etária mais suscetível ao envolvimento com as drogas: jovens em idade colegial, que na manhã de terça-feira (02), lotaram o salão da Igreja Luterana Farroupilha para ouvirem do jornalista sua experiência e drama familiar com relação ao assunto.
Por uma hora e meia ele, que cresceu na favela em Porto Alegre, falou sobre o trabalho social frente à Central Única das Favelas (CUFA), atuação que tem como foco os jovens, na palestra que integrou a programação da 7ª Semana do Legislativo. “Aos meus alunos eu exijo inclusive que eles leiam a bíblia, o que eu cheguei a fazer umas oito vezes. Esse é o padrão de comportamento que cobro”, revelou. Manoel também criticou o comportamento de pais que buscam nos filhos um modelo de vida, como por exemplo: vestir-se e até falar de forma igual. “Se os pais querem ser como os filhos, onde eles vão buscar referências para ser alguma coisa? Fora de casa!”, respondeu.
Quanto aos maus exemplos, ele ampliou. “O padrão de comportamento desses adolescentes que nós, pais, xingamos, são o resultado do que a gente fez, afinal, a personalidade deles não veio do espaço”. “Quando proíbem os filhos de sair, ouvir determinados tipos de música e outras situações não compreendidas pelos jovens, é porque os pais que cometeram os mesmos erros quando tinham quinze anos, enxergam o perigo lá fora. A diferença é que nós corremos o risco de perder vocês e assim, ficamos apavorados já que o mundo de hoje não traz cartilha”.
O jornalista continuou surpreendendo em seu relato. “No passado era ao contrário de hoje. Agora, vocês filhos devem ter paciência com os adultos da nossa geração, porque não sabemos muito bem para que lado vamos para orientá-los”. Contundente, ele revelou seu drama familiar, hoje usado para chamar a atenção sobre o perigo das drogas. “Meu pai era traficante, meu irmão usuário de Crack. Meu pai foi assassinado e meu irmão está internado. Essa é a única situação em que a família não comemora quando o familiar deixa o hospital porque lá ele está seguro e aqui fora ele vai voltar pro Crack”, finalizou.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados