Ter�a, 07 de julho de 2026, 00:58h
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Funcionários da Ecosul removeram os entulhos da estrada e Polícia acompanhou os protestos
Depois de quase 48 horas de bloqueio para tráfego de caminhões, as rodovias da região sul foram liberadas na tarde de quarta-feira (03). Em Canguçu, A Polícia Rodoviária Federal (PRF) cumpriu a decisão da Justiça Federal de Pelotas e garantiu a remoção dos pneus e objetos que interrompiam a passagem de caminhões no principal trevo de acesso à cidade. “O trabalho está sendo tranquilo, pois os caminhoneiros estão acatando a decisão judicial”, disse o inspetor Mário Zanini, que comandou a operação.
Equipes da Ecosul, concessionária que administra a rodovia – utilizaram uma retroescavadeira para remover os objetos que obstruíam a pista. Os trabalhadores em greve, contudo, contestam a decisão judicial e argumentam que, mesmo com a liberação da via, a greve deve continuar. A principal reivindicação é em relação ao preço dos pedágios. “Nossa luta é contra os pedágios e contra a exploração, mas a Justiça e polícia se comportam como se fossem empregados da Ecosul. Estamos lutando contra um exército, contra um monstro”, disse Carlos, um dos manifestantes.
Outro motorista, que pediu para não ser identificado, lembrou que os operários que desobstruíram a rodovia não usavam Equipamento de Proteção Individual (EPI) durante o trabalho. “Estão apagando o fogo na frente da polícia e sem nenhuma proteção. Nesse caso, a Justiça não diz nada”, criticou o caminhoneiro canguçuense de 29 anos. Para o comandante da operação, inspetor Zanini, este e outros casos podem ser denunciados diretamente à Polícia Rodoviária Federal, através do telefone 191. Mesmo com a liberação da rodovia, os trabalhadores pretendiam manter a greve até quinta-feira (4).
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu durante a madrugada desta quinta-feira (4) dez caminhoneiros que participavam de protestos em duas rodovias na Região Sul. Os casos ocorreram na BR-392, em Canguçu, e na BR-116, em Pelotas.
Prisões
Na noite de quarta-feira (03), a PRF retornou ao local e prendeu oito manifestantes. A acusação é de que os caminhoneiros teriam interrompido novamente a rodovia. À tarde, o inspetor da PRF Mário Zanini havia falado sobre o cumprimento da decisão judicial. “Eles podem permanecer na margem, mas não no leito da rodovia. O que não pode acontecer é a obstrução da rodovia e o cerceamento do direito de ir e vir dos demais que desejam seguir viagem”, disse o policial.
Um dos caminhoneiros questionou a decisão judicial. “Quando a Ecosul interrompe o desvio do pedágio, aí ninguém fala no nosso direito de ir e vir. Eles impedem os caminhoneiros que vivem na região de chegarem às suas próprias casas, mas aí não aparece a polícia...”, ironizou. As primeiras prisões no município ocorreram no final da noite de quarta-feira (3), quando dois caminhoneiros foram detidos, acusados de atirar pedras contra caminhões que tentaram furar o bloqueio. Já na madrugada, por volta de 4h, outros seis motoristas foram presos na BR-392 por atearem fogo em pneus para tentar impedir o fluxo de veículos na rodovia.
Em Pelotas, na BR-116, dois caminhoneiros acabaram presos, acusados de atirarem pedras contra carros da polícia. Ainda na BR-116, no trecho entre as cidades de Cristal e Camaquã, o caminhoneiro Renato Langer Kranlow, pelotense de 44 anos, foi morto após passar pelo bloqueio feito por manifestantes na região. O motorista dirigia em direção à Porto Alegre e foi agredido pelos colegas de profissão em um posto de gasolina. Após ser escoltado pela polícia rodoviária para além do bloqueio, Kranlow foi atingido por uma pedra, a cerca de 9 km das manifestações. O caminhoneiro foi encontrado desacordado e com um corte no pescoço. A polícia suspeita que Kranlow tenha sido vítima de manifestantes escondidos em uma barricada formada para retaliar os motoristas que furassem o bloqueio.
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