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12-07-2013

A luta diária de caminhoneiros que pagam até R$ 6 mil por mês em tarifas de pedágio


Foto: Xiru Gonçalves O canguçuense Eduardo Araújo está há 20 anos na estrada e dirige um caminhão de nove eixos.

O técnico em administração Jander Lima trocou a área administrativa pela estrada. Natural de Cachoeira do Sul (RS), ele se tornou caminhoneiro há dois anos e dirige um veículo de nove eixos. “Cada vez que passo no pedágio, pago R$ 74,90. Até Rio Grande são dois pedágios. Para ir e voltar gasto R$ 300”, afirma Jander, que participou paralisação que durou quase 48 horas em Canguçu, no início deste mês.


A realidade não é diferente para Paulo Funari, morador da Coxilha dos Campos e caminhoneiro há quase três décadas. Além das altas tarifas, o motorista revela o caso de um colega de profissão, que sequer consegue chegar na própria residência. “Depois que colocaram aquelas cancelas metálicas no desvio, tem caminhoneiro que não consegue retornar para a própria casa de caminhão. É uma situação que nunca pensei vivenciar”, afirma.



Funari paga R$ 49,90 cada vez que passa numa praça de pedágio da região. Para ir e voltar de Rio Grande o custo chega a R$ 200. Com a média de quatro viagens semanais, a cada sete dias ele gasta R$ 800 em tarifas. No mês, o valor chega a R$ 3,2 mil. Morador de São Lourenço do Sul e caminhoneiro há 30 anos, Gilberto Fischer calcula que 20% do que recebe pelo frete é gasto em pedágios. O restante é utilizado para pagar óleo diesel, tarifas e prestações dos veículos.


Muitos motoristas financiam os caminhões e precisam tirar do frete o dinheiro suficiente para pagar as prestações. É o caso de Adamir Fernandes, de Santa Maria (RS), caminhoneiro há 15 anos. “Todos os meses eu empato. O dinheiro que sobra só dá para comer e pagar a prestação”, lamenta o motorista, que dirige um caminhão de seis eixos e paga R$ 37,40 cada vez que passa no pedágio.


O canguçuense Eduardo Araújo está há 20 anos na estrada e dirige um caminhão de nove eixos. A viagem entre Canguçu e o Porto de Rio Grande o faz desembolsar R$ 300 apenas em tarifas. Com cinco viagens semanais, o custo alcança R$ 1,5 mil. Em trinta dias, podem chegar aos R$ 6 mil. “Queremos a redução das tarifas. E também não é justo que cobrem pelo eixo erguido, já que não estamos utilizando a rodovia”, argumenta o motorista, que também questiona a interrupção dos desvios do pedágio no município.


Os caminhoneiros questionaram a decisão da Justiça Federal de Pelotas, que proibiu a interrupção da rodovia, alegando a manutenção do direito de ir e vir dos motoristas que circulam pela BR-392. “E quando a Ecosul interrompe o desvio do pedágio, onde está a Justiça e a Polícia para garantirem o nosso direito de ir e vir?”, questionou um dos manifestantes. O preço das tarifas de pedágio foi uma das principais reivindicações dos manifestantes.


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