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12-07-2013

“Não é pelos vidros quebrados, é pelo lucro perdido”, diz Manoela Huck


Foto: Xiru Gonçalves A estudante, que faz parte do Levante Popular da Juventude, falou sobre os protestos nacionais

Para Manoela Huck, a explicação para a prisão de oito caminhoneiros em greve na madrugada de 4 de julho em Canguçu vai além da acusação de terem interrompido a rodovia ou jogado pedras em outros veículos. “Uma cabine do pedágio arrecada diariamente em torno de R$ 7 mil. Com as paralisações houve quem fechasse o caixa com R$ 400. Houve uma queda na bolsa. A questão não são vidros quebrados por pedras, são lucros sendo perdidos”, analisa a estudante, que faz parte do Levante Popular da Juventude, movimento recente que pretendia ir às ruas na quinta-feira (11), no chamado Dia Nacional de Lutas anunciado pelas centrais sindicais.


Segundo a integrante, o Levante manifestou apoio aos trabalhadores em greve, por considerar que o cidadão não deve ser explorado, enganado e ignorado por estruturas que visam o lucro e não o ser humano. Na entrevista concedida ao Jornal Tradição Regional, além de temas como a greve e prisão de caminhoneiros, Manoela respondeu perguntas sobre a manifestação nas ruas da cidade, o envolvimento de partidos políticos no ato e a criação de uma célula do Levante Popular da Juventude em Canguçu.



Confira a entrevista completa


Jornal Tradição Regional: Como o Levante Popular da Juventude se organizou no município? Quem faz parte?


Manoela Huck: O Levante é uma organização de jovens militantes voltados para lutas de massas, que atuam junto à Via Campesina e com os movimentos urbanos e há células dele por todo o país. Nós estamos construindo a nossa aqui na cidade. Nós, que temos uma população predominantemente rural, temos uma área de trabalho riquíssima e que precisa ser fortalecida.


JTR: Qual a consequência da manifestação realizada nas ruas de Canguçu?


MH: O processo de consequência, que pode ser também o de busca pelas concretizações está e sempre estará em construção. O que eu posso te dizer é qual era o objetivo do ato. E esse era elevar a autoestima como povo, firmando uma segurança pros próximos atos e causar em cada cidadão que ali estava uma sensação de protagonismo popular. Do cidadão passar do papel de expectador à ativo. E por isso não há centralização de uma única pauta. E esse primeiro passo, acho que foi dado.


JTR: Qual a tua opinião sobre a exigência de algumas pessoas de que o movimento não apresente bandeiras de partidos ou movimentos?


MH: O fato é que foi tudo muito rápido, essa rapidez acabou por pegar o gigante despreparado e acabou por acordar com um déficit de contextualização e histórico político grande. E muitos tem se confundido, ou tirado proveito da confusão, entre apartidarismo e antipartidarismo, que é até mesmo fascista. E o que temos visto são linhas partidárias tirando proveito disso na tentativa de expurgar os movimentos que fundaram as mobilizações atuais e do passado. E nesse sentido o debate se abrange em todos os campos, não foi só a bandeira antipartidária que o gigante que acordou no meio da noite tateando no escuro comprou. Ele comprou o conceito de vandalismo burguês, ele comprou a vestimenta branca, característica de manifestações pouco ou nada politizadas, ele comprou o hino e não se soube mais diferenciar comemoração de final de jogo de protestos. Falaram de uma tal de PEC, ele saiu gritando contra ela, e quando apresentaram um vilão a ele, ele saiu proclamando frases feitas mesmo sem soluções para o depois.


JTR: Por que o Levante apoia a greve dos caminhoneiros?


MH: Há pelo menos nove bandeiras fundamentais da luta popular dos trabalhadores e trabalhadoras das quais defendemos, uma delas, está em evidencia, é o transporte público e de qualidade. Hoje não temos nenhum dos dois, o público não é tão público assim quando impede e limita a locomoção da população, não só para o trabalho, mas para o estudo, lazer, recreação, enfim. Público quer dizer para todos e todas! Dentro dessa pauta entra o direito de ir e vir, o direito a não ser explorado, enganado e ignorado, por estruturas que visam o lucro e não o ser. Limitando-nos a nossa região, temos o abuso claro, e os caminhoneiros são os mais prejudicados por esses mecanismo, e eu nem falo das altas tarifas dos pedágios e do diesel, eu falo do direito assegurado, teoricamente, de ter uma via alternativa, o conhecido desvio, que lhes foi tirado, ao ponto de muitos não conseguirem chegar em casa. Durante uma madrugada, oito trabalhadores foram levados presos para o Presídio de Pelotas. Uma cabine do pedágio diariamente arrecada em torno de R$ 7 mil, com as paralisações houve quem fechasse o caixa com R$ 400. Houve uma queda na bolsa. A questão não são vidros quebrados por pedras, são lucros sendo perdidos.


JTR: De que forma o Levante pretende interferir nas pautas da sociedade local daqui para frente?


MH: A política é a arte da transformação! Estamos num período propício a muitas aberturas, inclusive acredito que haja ambiente para um projeto popular e confesso que estamos com as energias voltadas a ele. É de fundamental importância fortalecer nesse momento espaços para debates e discussões, com a juventude e população.


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