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Na madrugada de 10 de março de 2011, o município de São Lourenço do Sul foi atingido por uma grave inundação, cuja proporção foi a maior ocorrida em sua história. Passados dois anos, o município está com mais de 90% da sua estrutura recuperada, realizando apenas obras de paisagismo, fundamentais para que se faça jus ao posto de ‘Pérola da Lagoa'. Com mais de 40 mil habitantes, São Lourenço do Sul é um dos destinos da Região da Costa Doce mais procurados por aqueles que buscam a tranquilidade das águas da Lagoa dos Patos.
A força das águas não superou a vontade de recomeçar do povo lourenciano, e principalmente de reconstruir a ‘Terra de Todas as Paisagens'. Foi a partir da união entre os governos Federal, Estadual e Municipal, e do povo gaúcho, que os efeitos do desastre, que direta ou indiretamente atingiu 20 mil pessoas, foram minimizados o mais rápido possível. O episódio totalizou sete óbitos.
Conforme o prefeito Daniel Raupp Martins, atitudes emergenciais foram tomadas para que as consequências econômicas de São Lourenço não fossem tão intensas. A liberação do Fundo de Garantia, antecipação de um beneficio a mais da Previdência Social e a inserção do município no Programa Especial de Recuperação do BNDES, foram algumas das ações que possibilitaram a muitos empresários acessarem recursos e linhas de crédito facilitadas.
"Estas ações injetaram na economia do município algo em torno de R$ 60 milhões. Isso possibilitou a reconstrução, compra de equipamentos, modernização e fundamentalmente a busca de capital de giro", afirma Raupp, ressaltando que o triste episódio proporcionou ao município sair ainda mais fortalecido economicamente do que antes da tragédia.
Reconstrução de casas e histórias
"Tive que subir na janela, e depois pular para o telhado da outra casa. Só assim o bote conseguiria nos salvar", disse Nair Bueno da Cunha, de 76 anos, moradora do bairro Navegantes há mais de 40 anos. "Na hora em que a água subiu, nós éramos nove pessoas aqui em casa, tudo estava tranquilo e, de repente, quando percebi já estava com água na altura do peito", disse Nair, ressaltando que os filhos Jussara e Joel da Cunha perderam suas casas.
"A casa do meu irmão já foi construída, e eu aguardo pela minha, que deve ser entregue até o mês de agosto", ressalta com expectativa Jussara, que hoje divide um quarto com a filha, na casa da mãe.
Jaci Greller não perdeu a estrutura da casa, mas teve que reconstruir telhado, fiação elétrica, piso, comprar mobília e utensílio básicos de higiene e cozinha. Ambas foram contempladas por R$ 3 mil do Governo do Estado, que serviu para a compra de materiais e pagamento de mão de obra. "O dinheiro chegou em boa hora, conseguimos abater um valor alto de tudo o que precisamos adquirir para deixar a casa com as mínimas condições para viver", afirma Jaci. "Minha filha perdeu a casa, está vivendo com o aluguel social até que sua residência disponibilizada pelo município fique pronta", diz.
A coordenadora de Habitação do município, Jussara Cavalheiro, também foi atingida pela enxurrada, e só conseguiu tempo de sair de casa junto com as duas filhas e os três netos pelo telhado. "Perdi tudo, os bens materiais nós recuperamos, e o bem mais preciso que é a vida nós salvamos. O que eu mais sinto é a perda dos registros fotográficos, é parte da nossa história que foi com a água", diz, ao lembrar que enquanto as filhas avaliavam os estragos da casa, ela estava na prefeitura trabalhando e ajudando aqueles que no momento precisavam de mais apoio do que ela.
Ações de prevenção
Após o desastre, as atividades de prevenção foram intensificadas no município, que desde 2012 integra o Plano Nacional de Gestão de Risco e Resposta aos Desastres Naturais, composta por várias ações de monitoramento de alerta. "Hoje, o município tem um plano de contingência preliminar, vamos receber pluviômetros, realizamos o cadastramento do estudo de um projeto de concepção do canal extravasor, e somos avisados em casos de precipitação", diz o coordenador da Defesa Civil de São Lourenço do Sul, Rodrigo Seefeldt.
A probabilidade de um evento da mesma proporção acontecer é praticamente nenhuma, mas uma série de medidas já foram tomadas, afirma o prefeito. "Por questões técnicas, as pontes reconstruídas foram feitas acima da altura máxima que a água alcançou. Na BR-116, a ponte foi construída com vãos maiores, o monitoramento 24h nos permite ter previsibilidade das chuvas, mantendo equipes em alerta", diz, ressaltando que uma rede de informações foi criada.
"O município passou por uma experiência que ninguém quer ter, e hoje está bem mais preparado para qualquer tipo de evento", enfatiza Raupp.
Verba destinada pelo Governo do Estado ao município:
R$ 1 milhão - Utilizados na locação de equipamentos com mão de obra para aterramento da Praia da Barrinha e terraplanagem das unidades habitacionais.
R$ 450 mil - Oriundos da Secretaria Estadual de Habitação, a verba foi destinada a 150 famílias, contempladas com R$ 3 mil (cada uma) para a reforma de suas residências.
R$ 300 mil - Destinados pela Secretaria Estadual de Saúde, o valor serviu para a reforma de veículos danificados, de unidades básicas de saúde e do Caps, e para aquisição de equipamentos. Também foram destinados R$ 50 mil para a Santa Casa de Misericórdia, utilizados para o auxilio imediato aos primeiros dias após a enxurrada.
R$ 100 mil - Recurso destinado pela Secretaria Estadual de Turismo para a recuperação do Camping Municipal.
R$ 237 mil - Convênio realizado com a Superintendência de Portos e Hidrovias, para a dragagem e desassoreamento da foz do Arroio São Lourenço.
Redator: Secom
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