19-10-2009
Sinal verde para o progresso
Na manhã de segunda-feira (19), durante coletiva de imprensa realizada na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) receberam a imprensa regional, para falar sobre as obras de duplicação da BR 392, iniciadas em outubro.
Segundo o superintendente estadual do Dnit, Vladimir Casa, a obra só deve ganhar ritmo normal dentre 60 e 90 dias. �??O processo é lento e gradativo. Quem costuma passar pelo local vai perceber que a cada semana terá uma evolução, mas apenas em novembro as máquinas irão para a pista�?�, afirma. A reivindicada duplicação da BR-392 começa pelos dois lotes já contratados (2 e 3), nos quais serão investidos em torno de R$ 280 milhões. Vladimir Casa diz que já estão liberados R$ 160 milhões para a obra.
Quanto às desapropriações, o engenheiro Henrique Coelho, presidente da comissão de desapropriações do órgão, informou que o processo ainda está em fase de finalização e até novembro, cada proprietário será chamado - de forma individual ou em grupo, para receber informações sobre a sua propriedade.
�??Como na duplicação da BR 101, 95% dos casos de desapropriação tiveram sucesso, acredito que na BR 392 não será diferente�?�, disse. �??Por enquanto estamos trabalhando apenas nos locais que não envolvem desapropriações, para agilizar o processo�?�, revelou.
O engenheiro explica que uma análise detalhada de cada propriedade foi feita durante o serviço, levando em consideração o tamanho desta, as benfeitorias nela construídas, a área que vai ser desapropriada, entre outros critérios.
O processo de desapropriação para a duplicação da BR 392 vai envolver cerca de 230 propriedades, sendo aproximadamente 120 em área urbana e 110 na zona rural. Para isto, R$ 5 milhões, dos R$ 92 milhões já empenhados, serão usados nas desapropriações de terras às margens da rodovia, e os R$ 87 milhões restantes serão pagos às empreiteiras paranaenses Ivaí e Triunfo, responsáveis pela execução do projeto técnico da obra.
Quanto à ponte Alberto Pasqualini, antiga ligação entre Pelotas e Rio Grande, que poderia gerar problemas aos motoristas, caso não fosse adaptada ao novo fluxo, o Dnit, informou que foram feitas medições e testes que revelaram ser possível a reestruturação da ponte. �??Será feito um reforço estrutural completo inclusive com o alargamento da ponte, pois a construção atual é muito estreita�?�, explica o superintendente regional do Dnit, Vladimir Casa. A obra de restauro será realizada durante a duplicação.
Estavam presentes a coletiva o supervisor da unidade de Pelotas do Dnit, engenheiro Edmar Azevedo Gonçalves, o engenheiro Paulo Duarte, o representante da Construtora Triunfo, engenheiro Ricardo Pontes, entre outros.
Obras
Desde o inicio de outubro, os trabalhadores e as máquinas da construtora Ivaí Engenharia e Obras S/A, que fará a duplicação do lote número dois (com 24 km), e da Triunfo �?? responsável pelo lote três (com 27 km), circulam pela rodovia. A Ivaí está fazendo o levantamento topográfico do trecho que vai do Povo Novo ao posto de pedágio.
Segundo o diretor da Ivaí, Paulo Tadeu Dziedrick, a equipe que irá fazer a obra será constituída de 250 trabalhadores e a empresa trará somente 30 pessoas com experiência e que atuam com a Ivaí. Ele informou que o restante dos funcionários serão contratados na região. Já a construtora Triunfo mantem equipes na BR 392 desde o início de outubro.
O representante da construtora, Fernando Calmo, observa que as equipes da construtora já estão realizando serviços de recuperação de bueiros, pontilhões e aterros no lote três.
Conforme o superintendente Vladimir Casa, o projeto de duplicação da BR 392 prevê a construção de vários viadutos nas áreas urbanas e nos cruzamentos férreos que compõem o trajeto.
Tudo para garantir a segurança de pedestres e motoristas. �??Toda a infraestrutura do projeto é de alto padrão, e isso vai alterar de forma significativa o visual da estrada�?�, disse.
Meio ambiente
Pensando em minimizar os possíveis impactos ambientais que uma grande obra, como a da duplicação da BR 392, poderia gerar foi elaborado o Plano Básico Ambiental, formado por 18 programas. O objetivo é reduzir as agressões ao meio ambiente, levando em consideração o rico ecossistema da região. E, conforme Vladimir Casa, esta preocupação revela uma mudança na forma de execução dos trabalhos.
Ele conta que antigamente ao se fazer uma obra, era escolhida a melhor solução de engenharia e se executava o trabalho. Hoje, a obra tem que ser precedida de um minucioso estudo de impacto ambiental (EIA/RIMA). �??A diferença básica é essa. Antes se fazia, hoje se estuda ambientalmente para depois fazer. A duplicação de Pelotas �?? Rio Grande é uma das obras com maior nível de estudos e preocupações ambientais que nós já fizemos�?�, salienta Vladimir Casa, superintendente regional do Dnit.
Os lotes
O lote 1, vai da Ponte do Retiro na BR 116, até a ponte do canal São Gonçalo, já na BR 392. O trecho depende de ajustes em sua execução, já que na década de 70, quando do projeto original de duplicação, a geografia urbana do trecho era muito diferente. O lote dois inicia no km 60.7, na ponte sobre o Canal São Gonçalo, e se estende até o km 35.8, no banhado 25.
O lote três começa no km 35.8 e vai até o km 8.7, próximo ao porto de Rio Grande, na av. Maximiano da Fonseca. O lote quatro começa na av. Maximiano da Fonseca, e encerra no km zero da BR 392, na av. Honório Bicalho, na cidade de Rio Grande. Para os lotes 1 e 4 ainda estão sendo elaborados os projetos, que estão em fase final. Segundo Vladimir Casa, depois que foram concluídos, esses projetos ainda terão que ser aprovados e depois licitados.