Segunda, 06 de julho de 2026, 13:30h
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Uma nova ocorrência de abigeato comoveu até mesmo os agentes da Polícia Civil de Piratini, acostumados a atuar em situações bem mais complexas com relação a crimes. Na quinta-feira (1º), o desespero e as lágrimas de Idalina Lucas ao encontrar mais animais mortos em sua propriedade, geraram comoção e revolta dentre os presentes. Ela e a filha, Tatiane Lucas, 40 anos, encontraram as duas éguas que serviam a família há anos já sem vida em meio ao campo. Em desespero, a aposentada questionou o motivo de tanta violência contra os animais. “Não há justiça!”.
Localizada a 13 quilômetros da cidade, o local parece conceder aos ladrões a certeza de que ali é fácil invadir, matar e carregar. “Eles já mataram ovinos na mangueira. De 2011 até agora, foram 39 ovelhas. Na primeira, 17 foram carneadas, na segunda, dois meses depois, em dezembro, mais 20 foram mortas e outras duas levadas vivas”, contabiliza Tatiana, lembrando que outros cinco animais já haviam sido abatidos.
Ao falar das éguas, um desabafo seguido de lágrimas. “Acho que não estaria tão abalada como estou, se eu tivesse encontrado outra mangueira de ovelhas roubadas. Não sei mais o que fazer”, admitiu Tatiane, profundamente abalada e emocionada. “Quem mata na verdade é quem compra esta carne por R$ 5 o quilo, mantendo o mercado para os abigeatários sem se importar com as doenças decorrentes das vacinas e outros medicamentos recebidos por estes animais”, garante um dos policiais que atendeu o caso.
Novas ocorrências
Cercas de arame cortadas fazem parte da cena nos casos de abigeato que estão descontrolados na zona rural de Piratini. No entanto, para moradores do Passo do Graciano, 4º distrito, distante 30 quilômetros da sede, estranhamente isso não significa animais abatidos e sim, o risco iminente de incêndios. João Vargas é um dos moradores que possuem uma propriedade na localidade e que vem acumulando prejuízos devido aos estranhos ataques com um só objetivo: atear fogo em galpões e maquinários agrícolas.
Recentemente, ele teve um prejuízo de quase R$ 13 mil, após ter o galpão e um trator Massey Fergusson incendiado, além da cerca da propriedade cortada. O ataque aconteceu mesmo com a presença do caseiro que se encontrava a 60 metros do local atingido, o que na teoria, deveria ter espantado o incendiário. “Houve uma tentativa de incêndio criminoso contra uma casa vizinha e três outros campos tiveram seus arames cortados”.
Ele disse que vizinhos que possuem máquinas mais novas, algumas destas compradas este ano, recorreram ao banco para fazer seguro por temerem serem as próximas vítimas. “Eu tenho dois suspeitos de serem os autores e informei à polícia sobre eles. Ambos bebem e fazem arruaça nas redondezas”, revelou João.
Fotos: Nael Rosa
Legenda: Abigeatos continuam fazendo vítimas no interior.
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