Segunda, 06 de julho de 2026, 13:29h
Home Variedades
Em alusão ao dia da mulher afro-latino americana e caribenha, celebrado no dia 25 de julho, e ao dia internacional da mulher africana, datado de 31 de julho, foi realizada na noite de terça-feira (30) uma roda de memória de mulheres negras, no Clube Social 24 de Agosto. A atividade contou com a participação expressiva de mulheres negras jaguarenses, que falaram das histórias e vivências e debateram temas relacionados à luta diária no enfrentamento às discriminações sexistas e aos preconceitos étnico-raciais e sociais.
Presente na atividade, a yalorixá Mãe Nice de Xangô, falou sobre o importante papel das mulheres nas religiões de matriz africana. “A contribuição das mulheres negras está presente em todos os aspectos da vida social e cultural do país. Nas religiões e, em especial, nas práticas de matriz afro, a mulher ocupa papel fundamental, seja na liderança e administração das casas de religião, na preservação das tradições ou na luta pela permanência de seus referenciais culturais. Nossa batalha diária é para superar os preconceitos, ter respeito e preservar nossa identidade”, relatou.
A professora Iracema Goulart, diretora de uma escola da rede pública municipal, falou sobre sua experiência docente e sobre os projetos escolares voltados à valorização da cultura e da história afro-brasileira. “Trabalhar elementos da história e da cultura da população negra em sala de aula não é tarefa fácil, exige pesquisa e dedicação. Tenho me empenhado na busca de materiais diversificados e utilizo bastante a ferramenta do audiovisual em sala de aula. Temos excelentes resultados de projetos que trabalham noções como a autoestima dos alunos negros, o respeito às diferenças e a valorização da religiosidade, por exemplo. São muito enriquecedoras as possibilidades de ensino-aprendizagem da cultura afro”, disse Iracema.
A atividade proporcionou ainda um amplo debate sobre as cotas raciais para a democratização do ensino superior, em que o relato da pedagoga Patrícia Oliveira Crespo mostrou o impacto deste sistema na mudança dos rumos da educação do país. “Ingressei na universidade como cotista, escolhi o que realmente queria fazer e hoje estou formada e empenhada na luta por uma educação pública de qualidade, que seja transformadora e inclusiva”, afirmou a pedagoga.
Segundo o presidente do Clube 24, Neir Madruga, a ideia é que atividades como esta se fortaleçam e se ampliem com a instalação do “Ponto de Cultura” no Clube. “Fomos contemplados com um edital do governo do Estado que destinará recursos para a realização de oficinas e atividades culturais voltadas à valorização da memória, educação e à afirmação da cultura negra. Passadas as reformas exigidas pelo Corpo de Bombeiros, o Clube pôde reabrir suas portas e voltar a funcionar como um local de festas e de encontro para toda a comunidade”, disse, otimista.
A roda de memória de mulheres negras contou com a organização da Secretaria de Cultura e Turismo, Clube Social 24 de Agosto, C.E.U. e Afro Reino de Ogum Abassá de Xangô e Oxum, Coletivo Feminista Margaridas e Laboratório de História Social e Política da Universidade Federal do Pampa.
Redator: Assessoria de Imprensa
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados