Segunda, 06 de julho de 2026, 11:36h
Home Variedades
Há meio século, os trabalhadores rurais não tinham direito à aposentadoria, atendimento de saúde e acesso a crédito – tanto para investimentos na produção, quanto na propriedade. Hoje a realidade é diferente graças, em grande parte, ao trabalho desenvolvido por movimentos agrários e sindicatos rurais, o que inclui a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag/RS), cuja ação conquistou melhorias para a vida de milhões de homens e mulheres que vivem no campo.
Fundada em 1963, a sua origem vem dos sindicatos dos trabalhadores rurais, criados na década de 60, que buscavam uma entidade que os congregasse no estado. Atualmente, a entidade possui 23 regionais sindicais, num total de 350 sindicatos filiados. A Fetag-RS atua em 470 dos 496 municípios do Estado e representa mais de 1,5 milhão de agricultores, pecuaristas familiares e assalariados rurais do RS.
“Nunca é demais afirmar que os agricultores familiares são responsáveis pela produção de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. E isso precisa ser valorizado e reconhecido”, afirma o presidente da Fetag/RS, Elton Weber, durante o encontro regional da entidade realizado na quarta-feira (14), no município de Arroio do Padre. Segundo ele, apesar das vitórias alcançadas pelo movimento, ainda há inúmeros desafios a serem superados, incluindo a sucessão familiar. “Precisamos incentivar os nossos jovens a continuarem com a produção agrícola, porque mesmo que não dependam da agricultura, precisam dela para viver”, declara.
O vice-presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, explica que a intenção é divulgar a importância da agricultura familiar, junto a representantes das mais diversas entidades, como presidentes de associações, cooperativas, agências bancárias, prefeitos, vereadores, entre outras. Prova disso, é que vários prefeitos, vereadores e secretários da zona sul participaram do evento promovido no salão da comunidade Arroio do Padre II, em Arroio do Padre, e que reuniu mais de 200 pessoas. “Se não fosse o produtor rural, não teríamos comida na mesa, por isso é importante valorizá-los”, diz o prefeito de Arroio do Padre, Leonir Baschi, lembrando que Arroio do Padre é um município quase 100% agrícola.
Durante o evento, junto com as lideranças do movimento sindical, foi mostrada a inserção dos trabalhadores rurais junto aos municípios, ou seja, o que representam não apenas para a área rural, mas para a área urbana no que diz respeito a recursos, aposentadorias, Pronaf, habitação rural, “enfim todas as questões que o movimento sindical conquistou e segue lutando ao longo desses 50 anos”, destaca Carlos Joel da Silva. Para ele, os avanços conquistados não representam melhorias apenas para a agricultura familiar, mas para a economia local, regional e, inclusive, nacional.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Pelotas, Nilson Loeck, eventos como este são importantes, pois valorizam o produtor rural e mostram a força que a união de forças possui. “Agradeço a comunidade que não mede esforços para que eventos como este aconteçam”. Loeck destaca ainda que foi graças a organização e persistência de homens e mulheres de outrora, que os agricultores rurais de hoje desfrutam de vários benefícios como a aposentadoria integral e o Pronaf. “Se não fosse a nossa persistência, a nossa colônia já tinha acabado. Os jovens estão indo embora do campo por falta de investimento e de renda digna, e isso precisa mudar. Não adianta só falar ele tem que ficar no campo. É preciso dar condições pra isso”, considera.
Conforme o produtor rural Luiz Sturbelle, 61 anos, viver no campo ainda é uma boa forma obter renda e qualidade de vida. “As vezes nós não valorizamos tudo o que já foi conquistado nestes 50 anos, mas muitas batalhas foram vencidas. Na época do meu pai era tudo mais difícil e mesmo assim ele continuava apostando no campo. Hoje, as coisas são bem mais fáceis, apesar de ainda ter o que melhorar”, afirma o produtor, que investe no pêssego, cebola e outros produtos, em sua propriedade na Colônia Santa Áurea, 7º distrito de Pelotas. “Lembro que quando foi implantada a aposentadoria para o agricultor, que pagava só meio salário mínimo, já foi uma alegria e ver tudo o que conquistamos de lá pra cá, dá muito orgulho”, destaca Sturbelle, que também faz parte do STR.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados