Segunda, 06 de julho de 2026, 09:45h
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O medo é que a inclusão acabe por ser obrigatória e, sem dinheiro, as associações não consigam se manter e precisem ser fechadas
Muitas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae’s) do Brasil vêm se mobilizando para falar sobre a inclusão radical proposta por uma alteração da Meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE), ainda não votada pelo Senado. Se aprovada, a proposta estagnará o repasse de recursos pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) às escolas especiais.
O texto original da Meta prevê que jovens entre quatro e 17 anos, com transtornos globais ou deficiência no desenvolvimento, possam ser incluídos em escolas regulares, mas garante recursos para a manutenção de entidades como a Apae. O medo é que a inclusão acabe por ser obrigatória e, sem dinheiro, as associações não consigam se manter e precisem ser fechadas. Por isso, mesmo com chuva, funcionários e alunos da APAE, e professores e alunos da escola Prof. Armando das Neves, além da direção e amigos da entidade, saíram às ruas na tarde de quarta-feira (21) para uma mobilização contra o fechamento das escolas especiais, com o slogan “Você que é APAExonado, junte-se a nós!”.
A alteração da Meta 4 foi proposta pelo senador José Pimentel, do PT do Ceará, e se aprovada deverá valer a partir de 2016. Funcionários, pais e alunos das escolas especiais não acreditam que a inclusão radical seja a melhor forma de tornar o aluno participativo e incluído na sociedade. Professores de escolas regulares também tem levantado a bandeira de que uma escola não exclui a outra, e que juntas podem fazer um trabalho melhor.
A Apae de São Lourenço do Sul conquistou em julho do ano passado a filantropia, que facilita a realização de projetos e captação de recursos a serem aplicados em atividades para os mais de 80 alunos que a associação tem atualmente. O município considera o trabalho desenvolvido pela entidade relevante e por isso elegeu em Consulta Popular realizada recentemente, um projeto de aquisição de novos equipamentos para o laboratório de informática.
“Acredito na entidade e no trabalho por ela desenvolvido, pois visamos sempre o melhor atendimento às pessoas com deficiência, e nossos técnicos procuram estar sempre se atualizando. Quanto à inclusão radical creio que estão ferindo um direito do cidadão que é da liberdade de ir e vir, no qual os pais poderiam estar escolhendo a escola que quisessem para seus filhos”, disse Carmem Rosangela Mendes, que trabalha na Apae diretamente com os alunos já faz 15 anos. Carmen trabalha com a estimulação precoce, que é o atendimento a crianças de até três anos, podendo ser prorrogado o atendimento de acordo com a necessidade de cada um, visando orientações para amenizar futuras dificuldades.
Os que defendem a não aprovação do projeto não se mostram contra pais que optam por colocar seus filhos em escolas regulares, mas acreditam que as escolas especiais são mais uma opção a estas pessoas. Outras mobilizações já aconteceram e devem seguir, nas ruas e nas redes sociais, até que o projeto seja votado e negado no Senado.
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