Segunda, 06 de julho de 2026, 07:53h
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Ela tem 23 anos, é aluna de Mestrado em Direitos Humanos, trabalha em um cartório em Porto Alegre e, no último dia 24, foi coroada Miss São Lourenço do Sul Plus Size, em cerimônia realizada na Pontifícia Universidade Católica (PUCRS). Amanda de Lima e Silva mantém relações fortes com São Lourenço do Sul desde criança e resolveu representar o município no Concurso de Miss Rio Grande do Sul Plus Size, que terá a etapa estadual realizada no dia 20 de setembro, no Teatro do Centro de Convenções da PUCRS.
Confira a entrevista que o Jornal Tradição Regional fez com a miss:
JTR: Amanda, você é natural de São Lourenço do Sul? Qual sua relação com o município?
Amanda: Sou lourenciana de coração. Meu pai foi o notário e registrador do Cartório de Boqueirão de 1977 até 1986, então nesse período morou em São Lourenço. Criei-me passando longas temporadas de férias e feriados na cidade, e os meus melhores e fiéis amigos estão aí, bem como alguns familiares.
JTR: Como surgiu a vontade de participar do Concurso?
Amanda: Fiquei sabendo do concurso através de uma amiga que é modelo plus size. Quando decidi me inscrever, não pensei duas vezes em escolher São Lourenço para concorrer à miss municipal. Senti uma enorme alegria por ter sido a escolhida para representar a cidade, já que São Lourenço é uma terra de pessoas lindas e que poderiam, perfeitamente, representar a cidade no concurso.
JTR: Por que considera que estes concursos voltados a modelos e pessoas que se encaixam na concepção plus size são importantes?
Amanda: O preconceito sempre fez parte da vida do brasileiro. A diversidade gera espanto, e os seres humanos ainda não sabem lidar com as diferenças. As pessoas portadoras de deficiência, os idosos, os homossexuais, os negros e os obesos são as vítimas mais atingidas por essa cultura discriminatória.
O importante do movimento plus size é mostrar para a sociedade que as pessoas que vestem acima do tamanho 44 são cidadãos de direitos, consumidores, pessoas que merecem atenção, tanto nas políticas de saúde pública quanto no mercado de trabalho ou de vestuário. O papel da miss e da modelo plus size é mostrar essa outra visão à sociedade. Dizer ‘ei, nós gordos estamos aqui e somos maioria no Brasil. Tratem-nos como cidadãos’.
JTR: Você sempre teve um mesmo padrão de corpo, desde a infância? Já se sentiu chateada ou discriminada em alguma situação?
Amanda: Sempre fui a “gordinha” e baixinha da família, da escola, do CTG e de todos os locais que frequentei. Mas sempre tive senso de humor e nunca me deixei atingir por essas “brincadeiras”. Inclusive muitas pessoas ainda acreditam que sou mais nova do que realmente sou, devido à altura e as bochechas “fofinhas”!
JTR: Recentemente foi divulgada uma pesquisa mostrando que mais de 51% dos jovens brasileiros, acima de 18 anos, estão acima do peso. Entretanto, ainda existe uma cultura voltada à magreza no Brasil - vista nos diversos casos de anorexia entre modelos ou meninas comuns, que não usam propriamente o corpo como instrumento de trabalho. O que terias a dizer sobre isto?
Amanda: Antes que o “mundo” te reconheça, tu deves te aceitar. Não faço e nunca farei apologia à obesidade, mas acredito que em primeiro lugar vem a saúde e o bem estar. Precisas te aceitar como és, mas lutar por boas condições de vida, independente de vestires tamanhos 34, 36 ou 46, 48, 50. Precisas equilibrar tua glicose, fazer exercícios, cuidar da pele, do cabelo. Cuidar do coração. A busca pelo perfeito não deve ser o objetivo de vida. Pois, o que é a perfeição? Ora, ela não existe!
JTR: Quais são teus projetos para o futuro?
Amanda: Usar meus conhecimentos, estudos e pesquisas para melhorar a vida da minha comunidade. Fazer Doutorado ainda na área de ciências humanas e, finalmente, morar em São Lourenço do Sul, que é um sonho de infância.
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