Segunda, 06 de julho de 2026, 00:06h
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Arena coberta foi construída especialmente para a Exposhow, ao lado da praça de alimentação
Organizada desde o começo deste ano, a 87ª Expofeira de Pelotas gera em seus organizadores apenas uma coisa: grande expectativa. Segundo o presidente da Associação Rural de Pelotas, Rodrigo Fernandes de Souza da Costa, foram realizadas reuniões no final da edição passada da feira, o que identificou os pontos positivos e negativos da edição, para começar a montagem da Expofeira deste ano. “A nossa intenção foi planejar um evento para superar em ao menos 25% a feira do ano passado. Porém, acho que o sonho foi passando por cima da realidade, e, se o tempo for bom, a Expofeira tem o potencial de superar em 50% o evento do ano passado”, afirmou o presidente.
Programação técnica
Contando com quase 70 eventos técnicos, de segunda à sexta-feira, a programação técnica da Expofeira é, certamente, um dos maiores destaques do evento. Para valorizar essa área do evento, a produção da feira, realizada pela X13 Produções, com a coordenação de Kenia Pinheiro, optou por manter a entrada franca nos cinco primeiros dias de evento, a fim aumentar o debate dentro de cada núcleo, trazendo mais público, estudantes e produtores.
Segundo Costa, a floricultura, com um evento realizado na segunda-feira (7) pelo CAVG-IFSul, foi um dos destaques da edição. “Queremos abrir este espaço dentro do parque, sendo um processo embrionário. Futuramente evoluiremos para cursos de jardinagem”, completou. As palestras técnicas sobre viticultura e enologia também foram inovações da região mostradas na feira. “Já trouxemos no ano passado este trabalho junto com o CAVG-IFSul e os produtores da Serra do Sudeste, e este ano estamos mantendo para valorizar o que é da nossa terra e mostrar as qualidades do vinho que é produzido na região de Pinheiro Machado”, disse o presidente.
O Seminário de Bovinos de Corte, atração com grande público desde a última edição, mudou o foco para este ano, priorizando não só os estudantes, mas o produtor rural, já que a feira tem o máximo de qualidade genética nas raças Angus, Montana, entre outras, e está no topo da praça de remates de equinos e bovinos de corte. Também sucesso na edição de 2012, o Fórum da Lagoa dos Patos volta nesta 87ª edição, trazendo uma diversificação importante para a feira. “A presença do Fórum marca a missão da Associação, que é o desenvolvimento regional sustentável. Isso para nós é aproveitar o momento”, completou Costa.
Os núcleos
“O trabalho com os núcleos foi excepcional”, disse o presidente. O trabalho em grupo pode ser visto nas reuniões realizadas sobre a Expofeira e, segundo Costa, esta foi uma relação recuperada desde o ano passado. “Por falha minha, ainda tem algumas entidades que estão recém se integrando. Conseguimos grandes parcerias com a divulgação do evento, ainda mais quando as pessoas percebem que, embora a Associação seja uma entidade com 115 anos e aparente ser conservadora, ela é arrojada em muitas coisas. Não convenço a diretoria a nada, as ideias nascem nela, que é apenas um grupo conservador na sustentabilidade financeira”.
Desde a última edição, após seu sucesso, os núcleos abraçaram a ideia de engrandecer o evento, junto com a diretoria e a produtora. “O convívio com as pessoas está muito agradável, não há nenhuma disputa acirrada com relação a recursos. Todos entendem que devem colaborar, que há um norte, que deve ser perseguido e que é muito melhor ser parte de um grande projeto do que ser dono de um que não é nada. O mais gratificante na realização do evento é isso", destacou o presidente.
Pontos negativos
Para Costa, o que impede um maior avanço na realização da Expofeira são os cancelamentos por parte de empresas, parceiros e expositores. “Isso é o que mais me desgasta. Temos cerca de cem pessoas trabalhando voluntariamente, colaborando, mas sempre tem umas dez pessoas que trabalham para dar errado, e fazem um grande estrago”. Segundo o presidente, uma das grandes realizações da Expofeira de Pelotas é superar essas pessoas que vêm causando a decadência econômica da região há mais de quarenta anos. “Há um espírito impregnado na nossa cultura, de um pequeno grupo de pessoas, que está aqui para criticar e atrapalhar, em todos os segmentos da sociedade. A Expofeira reúne mais de 50 entidades, que conseguem trabalhar em conjunto e integrar seus interesses pessoais ao interesse coletivo e ceder, flexibilizar, isso eu acho que é a nossa maior vitória”.
A produtora
Responsável desde o ano passado pela parte organizacional da Expofeira de Pelotas, Kenia Pinheiro, da X13 Produções, é também uma das grandes responsáveis pelo sucesso do evento na região. “Vim somar, junto com os diretores e a presidência. A feira vem mudando. Ano passado, por uma questão de prazos, tivemos apenas um grande show. Este ano temos durante sete dias, sete apresentações na arena de shows, mais de 300% no incremento em apresentações musicais nacionais e internacionais”, disse Kenia.
Segundo a produtora, a feira precisa de um “choque”. “Na qualidade de visitante da Expofeira, a gente podia visualizar as faltas que ela tinha, coisas que eu achava que tinha que ter. Para este ano fizemos a reforma da Praça de Alimentação, faltando apenas os banheiros, conseguimos qualificar em mais de 100% os estandes, mas sempre há mudanças a serem feitas. Aqui é a minha segunda casa. Aceitei o desafio de produzir a Expofeira, então eu sou ela 100% do meu tempo. Eu vesti a camiseta”.
Para o próximo ano, Kenia diz que a ideia é implantar uma área de dinâmica no parque, para que o produtor não participe apenas de uma feira de implementos agrícolas, mas que possua espaço para fazer negócios e ver demonstrações dos equipamentos que estão à venda na feira. “Pensamos em até quatro hectares só de inovação tecnológica”, completou.
Ainda de acordo com Kenia, a Associação quer incentivar e promover o lazer, para que as pessoas desfrutem o máximo possível da Expofeira. “Antigamente as pessoas se programavam. Esperavam o ano inteiro pela Expofeira. É isso que a gente quer que aconteça de novo, que seja um evento simpático para a população. Que as pessoas sintam vontade de fazer um chimarrão, sentar embaixo de uma árvore e assistir um julgamento. Vir assistir um leilão. Buscamos o despertar das pessoas pra essa feira, que é tão linda. Te revitaliza estar dentro desse parque maravilhoso, que possui 43 hectares na melhor localização da cidade, nobre, diferenciada, com acesso perfeito e estacionamento para mais de dois mil carros. Enfim, a intenção é proporcionar um evento de qualidade para as pessoas da cidade e do campo”.
Novidades
A reforma da Praça de Alimentação é a novidade mais comentada desta edição da feira. Passando por uma reformulação completa, á exceção dos banheiros, a praça está agora dentro dos padrões exigidos pela vigilância sanitária, equipada com coifa, exaustor, gás encanado e piso novo. “Tínhamos uma situação precária nesse aspecto, que precisava ser arrumada urgentemente. Não podia ser realizada outra feira dessa grandeza sem ter uma praça de alimentação condizente, porque segurança alimentar tem que ser vista em primeiro lugar, não podemos colar a saúde das pessoas em risco”, disse Kenia.
Outro destaque desta edição é o reforço no Pavilhão da Agricultura Familiar, que agora conta com apoio da Emater, Embrapa e Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR). Serão aproximadamente 23 expositores dentro do agronegócio, da indústria, artesanato e agricultura familiar oferecendo produtos de alta qualidade para os visitantes da feira.
A credenciadora ao Freio de Ouro é, da programação, o que mais entusiasma os organizadores. A prova, primeira do ciclo para a Expointer de 2014, acontece pela primeira vez em uma Expofeira, e agregará público para o evento. Os primeiros colocados nesta etapa participarão de uma classificatória regional, para depois concorrer ao Freio de Ouro 2014, maior prova da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).
Um convênio com a Exposição do Prado, do Uruguai, também é uma das novidades desta Expofeira. Segundo o presidente da ARP, os representantes da exposição firmaram um convenio com a Expofeira, que servirá como uma troca de experiências e integração de parceiros e produtores rurais. A ideia é que a Expofeira monte um estande na próxima exposição no Uruguai, e que a ExpoPrado também tenha um espaço a partir da 88ª Expofeira.
“O sucesso da feira será consolidado este ano, isso porque a satisfação do público urbano ainda não era bem atendida. Ano passado se recuperou isso”, disse o Costa. Para o presidente, a feira busca melhoras para a região no momento que se discutem os gargalos de cada cadeia produtiva, apresentando soluções que podem vir na forma de políticas públicas, e quando se reflete sobre os problemas e as qualidades da terra. “A Expofeira não pode ser só uma festa. Eu prefiro que venham 30 mil pessoas, e sejam bem atendidas, do que 80 mil que não aproveitam o evento. Se com as 30 mil forem discutidas cada cadeia produtiva e apresentadas as soluções para os problemas da nossa terra e seus possíveis avanços, essa será a maior contribuição. Serão 30 mil pessoas que vão irradiar as coisas boas da nossa cultura. Preferimos focar em qualidade a quantidade. O sujeito tem que entrar aqui e aprender coisas novas, sair diferente”.
Segundo os organizadores, até 2015 a Expofeira de Pelotas estará mostrando todo seu potencial, podendo competir, inclusive, com feiras internacionais. “Porém, as pessoas precisam ver que o evento está mudando, e se superando a cada ano. Esse é o grande desafio”, afirmou o presidente.
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