Domingo, 05 de julho de 2026, 19:57h
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A aprovação do projeto de implantação de um trem de passageiros pelo Ministério dos Transportes interligando Capão do Leão, Pelotas, Rio Grande e o balneário do Cassino, divulgado na semana passada, criou euforia entre prefeituras e Câmara de Vereadores do extremo sul do país. O projeto demonstra o salto econômico da região, impulsionado pela grande demanda de oportunidades de trabalho desenvolvidas pelo Polo Naval e Superporto de Rio Grande.
Estão previstos investimentos de R$ 780 milhões para realização da obra, dinheiro oriundo de uma Parceria Público Prívada (PPP). A decisão foi baseada na apresentação de um estudo de viabilidade técnica realizada pelo Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina (Labtrans/UFSC), em que dos 7.096 entrevistados, 53,8% disseram trocar seu atual meio de transporte (carro ou ônibus) pelo trem. A estimativa é de que circulem 45 mil passageiros por dia, já que muitos apontaram como critérios custos mais baixos, menor tempo de viagem e maior segurança.
Novo Trajeto
A proposta, feita pelos engenheiros do Labtrans, prevê a construção de uma nova linha férrea exclusiva para o trem de passageiros, tendo em vista a inviabilidade de compartimento da atual malha ferroviária usada para o transporte de cargas. Há possibilidades, também, de ampliação da rede ferroviária com a criação de novas linhas, passando pelo campus da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Fundação Universidade do Rio Grande (Furg) até o Cassino.
Outra viabilidade apontada pelo corpo técnico do Lebtrans é de uma considerável melhora em relação à mobilidade urbana dos trabalhadores, de estudantes e dos turistas, com a criação de uma linha circular passando pelo Porto Novo, Polo Naval e Superporto.
Tarifas reduzidas
Outro fator preponderante revelado pelos técnicos refere-se à aplicação de uma tarifa mais baixa em relação à praticada pelos ônibus intermunicipais. Estudos mostram ser possível praticar uma tarifa média variável entre R$ 3,50 e R$ 3,97, cobrado no percurso entre cada um dos municípios. Por exemplo, no trecho Pelotas-Rio Grande, esse valor equivale a 36% do preço de uma passagem em ônibus, que hoje é de R$ 11.
Tempo
Outro fator preponderante no desempenho dos novos trens, veículos leves sobre trilhos (VLTs), é a capacidade de atingir uma velocidade média de 80 km/h, perfazendo uma vigem de Pelotas à Rio Grande em uma hora e nove minutos. Menos tempo que um ônibus comum, que percorre a mesma distância em uma hora e 20 minutos. O intervalo de um trem e outro deverá ser de 60 minutos.
Como atrair investidores
Para o deputado federal petista Fernando Marroni, coordenador do comitê e principal defensor da proposta em Brasília, a próxima etapa é atrair investidores privados. “Vencemos a primeira parte da batalha, mas precisamos manter a mobilização regional para fazer o trem, literalmente, ir para os trilhos. Isso significa trabalhar junto com o governo na atração de parceiros interessados em investir no projeto que consideramos essencial para qualificar a mobilidade na região”, explica Marroni.
O Legislativo
Os vereadores petistas Marco Aurélio e Elio Bicca, em discurso na tribuna da Câmara na sessão ordinária de terça-feira (22), reportaram-se sobre o desempenho das lideranças políticas da zona sul em trazerem para a região esta obra tão importante e responsável pelos grandes investimentos que acontecerão no sul do estado. Os vereadores leonenses lembraram ainda que a Câmara Municipal de Capão do Leão, em 2011, foi a primeira casa legislativa a promover audiência pública para discussão do tema, atendendo solicitação do então vereador petista, Mauro Nolasco, e do deputado federal, Fernando Marroni.
Estações
Em toda sua extensão de 99 quilômetros estão previstas a construção de 43 estações de pequeno, médio e grande porte, sendo seis em Capão do Leão, seis em Pelotas e 31 em Rio Grande. O ponto de saída dos trens será o centro do município de Capão do Leão e a chegada será no balneário da Querência, no Cassino.
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