Domingo, 05 de julho de 2026, 17:38h
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As obras de vazão das águas do bairro Santa Tereza cederam à força das chuvas e causaram uma cratera de 5m de profundidade
Com início na sexta-feira à noite, a chuva forte de sábado causou, além dos problemas de mobilidade, prejuízo à população de diversas cidades do Estado
O útimo sábado (26) foi de chuva intensa em quase todas as regiões do Rio Grande do Sul, devido a um centro de baixa pressão que avançou pelo Estado. O final de semana, que seria marcado, à princípio, apenas pela realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), acabou tendo como “principal personagem” a série de alagamentos registrados em muitas cidades gaúcha.
A região metropolitana de Porto Alegre foi uma das mais afetadas no Estado. Cidades como Esteio e Sapucaia do Sul ficaram com bairros debaixo d'água. A rodovia que liga Porto Alegre ao Vale do Sinos, a BR-116, teve de ser bloqueada para que os veículos retornassem à Capital, bem como trechos do Trensurb, além do cancelamento das linhas de ônibus com saída da rodoviária.
Na região, segundo as poucas informações divulgadas, as cidades que mais sofreram com o alagamento foram Pelotas, São Lourenço do Sul, Pedro Osório, Piratini, algumas regiões de Canguçu, Pinheiro Machado e Capão do Leão. Segundo dados do Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa Clima Temperado, a precipitação no sábádo em Pelotas chegou a cerca de 60 milímetros.
A situação lourenciana
Em São Lourenço do Sul, na quarta-feira (23) e no sábado (26), houve queda de luz e alagamentos em diversos pontos do município. No interior, moradores registraram que até mesmo chuva de granizo aconteceu, o que deixou produtores apreensivos com o fumo plantado.
Na quarta-feira, a chuva forte desde o início da madrugada fez com que houvesse um apagão no período da tarde, durando algumas horas e ocasionando diversas quedas de luz durante a noite. As ruas alagadas estavam sendo sinalizadas com cavaletes pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMDEC) e a Secretaria de Obras e Urbanismo (SMOU). Ainda na quarta-feira, até o fim da tarde havia sido registrada uma precipitação de cerca de 70 milímetros na cidade e, no interior, a precipitação chegou a 100 milímetros.
O Corpo de Bombeiros e o COMDEC atenderam à população e fizeram o monitoramento das áreas atingidas também no sábado (26), para tentar amenizar os problemas causados pelos alagamentos nas ruas. Em alguns pontos próximos às escolas Walter Thofehrn e Armando das Neves, passarelas foram construídas para auxiliar e facilitar o acesso àqueles que realizaram as provas do Enem durante o último final de semana. No sábado a precipitação superou os 90 mm na cidade.
Segundo Francisco Farias, do 3° Comando Regional de Bombeiros, houve algumas ligações nestes dias, mas não que fossem consideradas situações de perigo. “Recebemos várias ligações de pessoas bastante assustadas e querendo solução para desentupimento de bueiros, interdição de ruas devido às ondas provocadas pela passagem de veículos, entre outras situações”, disse Farias, afirmando que os serviços prestados foram sobre o resgate de gatos que, com a chuva, acabaram se colocando em situação de risco. Além disso, durante a noite de quarta-feira, devido ao mau tempo, houve uma energização do solo em frente a uma lancheria no centro da cidade, que superaqueceu o chão, assim como o poste de luz, sendo acionada a CEEE para resolver o problema no local.
Transtornos em Pinheiro Machado
O Bairro Vila Nova, em Pinheiro Machado, foi o mais atingido devido à má condição das ruas que não possuem calçamento, além da falta de colocação de bueiros apropriados para o escoamento d’água correto, o que facilitou a invasão da água nas residências. Durante a chuva, atendendo o apelo das famílias atingidas, alguns vereadores saíram às ruas para auxiliar os prejudicados e analisar situação para possíveis melhorias.
A forte chuva deixou as ruas com muitas pedras e buracos. Para solucionar os problemas, durante toda semana os funcionários da Prefeitura Municipal realizaram serviços de patrolamento, bem como a colocação adequada de bueiros nas ruas atingidas. Ainda foi realizada uma reunião com as lideranças para tratar sobre o ocorrido, mas nada de concreto foi declarado.
Ruas e casas alagadas e calçamento destruído em Pedro Osório
A forte intensidade da chuva que caiu em Pedro Osório deixou muito prejuízo aos moradores e à gestão municipal. As obras de vazão das águas do bairro Santa Tereza cederam à força das águas e causaram uma cratera de mais de 50 m de comprimento por 5 m de profundidade no local. Na frente do CTG Fogo de Chão, três lugares cederam abrindo buracos na rua.
Foram vários pontos de alagamento na cidade. A reportagem do Jornal tradição Regional conseguiu identificar focos de casas invadidas na rua das Flores, rua 30 de Novembro e rua Pasquale Marchese. O comerciante local Pablo Fernandes foi um dos que acompanhou a cheia do rio através das réguas que existem nos pilares da ponte. O Rio Piratini chegou a 10,40 m acima do nível normal, dados que continuam sendo acompanhados voluntariamente por Fernandes.
Segundo o diretor da Emater de Pedro Osório, Ronaldo Maciel, que faz o acompanhamento dos dados pluviais no município desde 1988, a média de chuva prevista para o mês de outubro é de 125,7 mm, porém, somente no sábado, o acúmulo foi de 90 mm, e a soma da semana inteira foi de 177 mm. Do início do mês até agora, choveu em Pedro Osório 267 mm, ou seja, mais do que o dobro previsto para o mês.
Cheia isola moradores no interior de Piratini
O alto índice pluviométrico dos últimos dias fez com que arroios e riachos transbordassem deixando ilhados moradores da zona rural. A precipitação de sábado foi a maior registrada nos últimos dias no 2º Subdistrito de Piratini, chegando à marca dos 108 mm na Serra das Asperezas, que, somada com as últimas duas chuvas, chega aos 200 mm.
A chuva, que começou por volta das 7h, durou aproximadamente cinco horas, ocasionado o transbordamento nos arroios e sangas do Subdistrito. A Ponte do Passo do Moinho, localizada sobre o Arroio Tamanduá, ficou totalmente submersa, deixando moradores das localidades circunvizinhas sem acesso à BR-293. Durante à tarde, diversos veículos encontravam-se às margens do Arroio, esperando que a água baixasse para que pudessem atravessar.
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