Domingo, 05 de julho de 2026, 13:47h
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Durante o ato, integrantes do Levante Popular da Juventude disseram que a rua General Osório "carrega o nome do 'herói' de uma guerra responsável pela destruição de um país e morte da metade de sua população"
Manter viva a memória histórica sobre Sepé Tiaraju, índio guarani morto há mais de 250 anos. Este foi um dos objetivos de um ato realizado pelo Levante Popular da Juventude no último domingo (17). A atividade foi realizada em dois locais: no Telecentro Acanguaçu, os participantes ouviram um relato sobre a trajetória de Sepé e as Missões Jesuíticas, debateram a atual situação indígena e receberam mudas de árvores nativas. Mais tarde, junto a Câmara de Vereadores, integrantes do grupo trocaram simbolicamente o nome da rua General Osório para Sepé Tiaraju.
Uma placa com o novo nome – rua Sepé Tiaraju – foi fixada no prédio da Câmara de Vereadores. A substituição simbólica veio acompanhada de indagações sobre o porquê da escolha de “General Osório” para denominar aquela via. “Essa rua carrega o nome do ‘herói’ de uma guerra responsável pela destruição de um país e morte da metade de sua população”, questionaram, referindo-se a atuação do general Osório durante a Guerra do Paraguai, um conflito bélico ocorrido no século XIX e responsável pelo aniquilamento de metade da população daquele país.
A escolha do prédio da Câmara para o ato, segundo um dos integrantes, ocorreu “por ela ser considerada a Casa do Povo e ser responsável pela aprovação dos projetos que dão nomes às ruas”. O Levante Popular da Juventude lembrou que muitas vias urbanas carregam nomes de homens que foram responsáveis pela “morte e opressão do povo”.
No Telecentro, os participantes contaram com a presença do cantor pelotense Júlio Guarany. Descendente de índios guaranis, o músico apresentou algumas de suas canções e falou sobre o papel de seus antepassados. Júlio lançou recentemente seu terceiro disco – Ventos Livres – com o qual comemora 25 anos de carreira. Identificado com as lutas sociais e a busca pela preservação ambiental, o artista busca, através de sua música, manter um caminho de coerência e luta por justiça social.
Quem foi Sepé Tiaraju?
O índio guarani foi morto em fevereiro de 1756, no atual município de São Gabriel. A morte ocorreu após a assinatura do Tratado de Madrid, firmado entre Portugal e Espanha e que estabelecia, dentre outros pontos, a retirada dos indígenas que viviam nos Sete Povos das Missões. Neste período, o território do atual Rio Grande do Sul pertencia aos espanhóis. Sepé, assim como os demais, se recusou a abandonar sua terra e participou ativamente dos combates. Ele foi morto pelas tropas dias antes do Combate do Caiboaté, quando cerca de 1,5 mil índios pereceram diante dos exércitos português e espanhol. Em 2009, durante a comemoração dos 250 anos da morte de Sepé Tiaraju, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia: “Sepé Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense".
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