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Projeto de construção da Hidrovia Brasil-Uruguai foi debatido por representantes durante a manhã de sexta-feira (29), no auditória da Escola Marina Vargas
Na manhã de sexta-feira (29), lideranças internacionais, nacionais e do Estado estiveram no auditório da Escola Marina Vargas, em São Lourenço do Sul, para debater o projeto da Hidrovia Brasil-Uruguai, incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, com previsões de investimentos avaliadas em R$ 50 milhões até 2014. A viabilidade técnica do projeto foi apresentada na reunião e, após, foi formalizada a fundação da Associação de Prefeitos da Hidrovia Brasil-Uruguai.
Para os próximos cinco anos, os investimentos do Programa chegam a R$ 217 milhões. O município tem interesse no projeto não só devido ao desenvolvimento econômico na Região Sul, como também a possibilidade de investimentos diretos em São Lourenço, já que a obra vai possibilitar o transporte de cargas entre os dois países, passando pelo corredor Lagoa Mirim-Canal de São Gonçalo e Lagoa dos Patos.
A atividade foi organizada pelo secretário executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS), Marcelo Danéris, a fim de que fossem apresentados todos os passos já realizados até o momento, para a execução prática do projeto, destacando todas as representações que estão envolvidas no movimento de construção da obra. Até a data de realização do debate, estava em andamento – quase em sua fase de conclusão – o Estudo de Viabilidade Técnico-Econômico e Ambiental (EVTEA), apresentado na ocasião pelo engenheiro Daniel Lena, da Ecoplan/Petcon, empresa contratada pelo Governo Federal/Ministério dos Transportes, através de consórcio, pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) – Administração das Hidrovias do Sul (AHSUL).
Na apresentação, esteve presente o vice-presidente da Delegação Uruguaia e da Comissão Mista Uruguaia e Brasileira para o Desenvolvimento da Bacia da Lagoa Mirim, Jorge Camaño, que apresentou os portos e hidrovias do Uruguai, suas vias navegáveis e as obras, destacando os estudos que foram elaborados recentemente. Para Camaño, a viabilização da Hidrovia é extremamente importante para a evolução da região nordeste do país vizinho.
Também participaram do evento, empresários portugueses do ramo logístico-portuário. Rafael Parardus, representante do Grupo Beatus S.A., de Lisboa, e sua controlada Terminal Multiusos, do Beato S/A, assim como seu grupo, firmou uma carta de intenções para investimentos na exploração de um porto privado, além de um terminal aeroportuário internacional em São Lourenço.
A construção da obra vai permitir que o sistema hidroviário tenha maior importância na região e faça com que os municípios cresçam economicamente. O engenheiro Daniel Lena destacou que a intenção do Governo Federal é superar o sobrecarregamento do transporte rodoviário, e permitir que haja a migração da carga geral para os modais ferroviário e hidroviário. “Mais de 80% do transporte geral de cargas no Rio Grande do Sul é feito através de nossas rodovias. A ideia do projeto é aumentar o transporte de cargas pelo modal hidroviário, passando de Estrela, no Rio Grande do Sul, até La Charqueada, no Uruguai”, disse Lena. Ainda de acordo com Souto o projeto, resultante de um acordo binacional, tem como foco amenizar o desequilíbrio histórico no uso dos modais de infraestrutura, concentrado no modal rodoviário.
O diretor-superintendente de Portos e Hidrovias do Estado (SPH), Pedro Obelar, manifestou que a hidrovia precisa ser tratada como um projeto de Estado, e não apenas deste governo, para que os investimentos sejam perenes e prioritários. "Para o país e o Estado continuarem crescendo no ritmo em que estão, precisamos equalizar nossa matriz logística, com a complementaridade dos modais", afirmou o superintendente do Porto de Rio Grande, Dirceu Lopes. O superintendente do Porto de Rio Grande, Dirceu Lopes, reafirmou o intuito do projeto: “Não queremos substituir o sistema rodoviário de transporte de cargas, a intenção é equalizar os serviços”, disse.
Daniel Raupp como presidente da Associação dos Municípios da Hidrovia do Mercosul
Ao final do encontro, foi fundada a Associação de Prefeitos da Hidrovia Brasil-Uruguai, que congrega os municípios da Região Sul, mobilizados para a viabilização do empreendimento. Os municípios interessados no projeto da Hidrovia do Mercosul participaram da assinatura de um termo de adesão para formalização da instituição da Associação dos Municípios da Hidrovia do Mercosul.
Os representantes dos municípios integrantes escolheram o prefeito municipal de São Lourenço, Daniel Raupp, para representar formalmente a Associação. "Esse é um momento importante para potencializarmos o desenvolvimento econômico dos municípios, da região e do Estado. Não estamos aqui debatendo algo novo, pois nossos antepassados já faziam uso da hidrovia", disse Raupp.
*Com informações do governo do Estado
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