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21-12-2013

O gosto por uma profissão em extinção


Foto: Gerson Baldassari Mairon mostrando desde novo o que aprende em casa com o pai graniteiro

Um menino de 12 anos foi destaque na 6º edição da Festa do Graniteiro, realizada no último domingo (15), na praça central João Gomes, em Capão do Leão. Mairon Baptista dos Santos não se intimidou diante de experientes graniteiros e mostrou que diante de uma vocação, a idade pouco significa: pegou uma pequena maceta, que brinca nas horas vagas, e demonstrou habilidade para abrir um buraco na pedra e prepará-la para o corte.


O episódio chamou a atenção do público não só pela idade do garoto, que é aluno da 5º série da Escola Municipal Barão de Arroio Grande, localizada no bairro Teodósio, mas por que na atualidade tornou-se muito incomum jovens demonstrarem aptidão por esta função.



Segundo Associação dos Graniteiros de Capão do Leão, isso acontece devido a grande dificuldade que os profissionais desta área enfrentam. O trabalho exaustivo e a desvalorização da mão de obra são apontados como uma das principais causas do abandono da profissão. Hoje, a maioria dos graniteiros leonenses sobrevivem da exploração de pequenas pedreiras, que abundam na encosta da Serra do Granito, no Cerro das Almas, no Descanso e no Passo das Pedras. Na década de 80, Capão do Leão registrou cerca de 500 cortadores e em sua maioria jovens, situação inversa da realidade atual: dos quase 80 trabalhadores que frequentam as jazidas, a maioria tem idade superior aos 40 anos.


Um estudo realizado no último censo e divulgado peloInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que nos últimos anos houve uma mudança nas profissões das microrregiões em desenvolvimento. Capão do Leão está inserido nesse contexto. A função de graniteiro já foi a principal no município.


O pai do garoto, Nilson Silva dos Santos, demonstra alegria pelo interesse de Mairon em continuar na profissão que desenvolve, mas ressalta que tem consciência das dificuldades que o filho pode enfrentar. “Sinto-me feliz pelo interesse de Mairon em aprender a cortar pedra, mas sinceramente quero que ele estude para conhecer outras oportunidades e no futuro ter outras opções que não sejam tão desgastantes como a de graniteiro”, destacou Santos, que há 50 anos sustenta a esposa e os cinco filhos apenas cortando pedras.


Como prêmio de incentivo, o “pequeno graniteiro” ganhou uma bicicleta doada em parceria entre a Prefeitura e o comércio local.


Os primeiros Graniteiros


A relação capital e trabalho em Capão do Leão teve início no século XVIII com a chegada da ferrovia francesa e com uma perspectiva de expansão do minério. A fama de possuir o segundo maior bloco de pedra do mundo trouxe para Capão do Leão certa urbanização, fazendo do município local de veraneio da elite pelotense. Segundo o professor de história, Joaquim Dias, a importância política e econômica contribuiu para a transformação de Capão do Leão em distrito de Pelotas. Mas a chegada da Compagnie Française Du Port Du RGS, em 1909, responsável pela exploração do granito com destino para a construção dos Molhes do Porto de Rio Grande deu início a formação dos primeiros grupos de graniteiros.


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