Domingo, 05 de julho de 2026, 05:17h
Home Variedades
Liga distribuiu panfletos informativos, camisinhas masculinas e femininas e aplicou 400 questionários à população para saber qual o nível de informação que as pessoas têm sobre a Aids
Liga Acadêmica de Infectologia da UFPel realiza atividades de educação da população e de apoio à grupos em vulnerabilidade social para além da época do Natal
“Fazer o bem sem olhar a quem”. O ditado, apesar de bonito, não é muito posto em prática atualmente. Nesta época do ano, em que a solidariedade aflora devido às comemorações de Natal e Ano Novo, pode ser até que ele seja visto em ações comunitárias, e até mais reconhecido. Porém, alguns grupos em Pelotas exercitaram a atitude durante todo o ano de 2013.
Através de um trabalho conjunto da Liga Acadêmica de Infectologia da UFPel e da OSC Gesto – organização sem fins econômicos, que contribui para a defesa, elevação e manutenção da qualidade de vida de alguns grupos sociais –, idosos, crianças em vulnerabilidade socioeconômica e soropositivos puderam fechar o ano não só com uma bela confraternização de Natal, mas com uma carga de conhecimento e crescimento socioeducativo adquiridos através das ações dos grupos realizadas durante o ano. A interação entre comunidade acadêmica, organização social, camada social vulnerável e população pelotense é o que melhora as contribui para evolução de todos os grupos e o que trazer resultados positivos tanto para os que necessitam de cuidados especiais quanto àqueles que estão buscando formação na área média e de assistência social.
Segundo Guilherme Mendonça Roveri, 23 anos, acadêmico do quinto ano de medicina na UFPel e vice-presidente da Liga Acadêmica de Infectologia, os trabalhos do grupo são fundamentais para a formação acadêmica, mas mais do que isso, para o crescimento como ser humano. “Com esse trabalho não aprendemos somente sobre a doença, mas sobre humanidade, relação médico paciente, calor humano e convívio, o que são coisas importantes também, e fazer parte do objetivo da Liga. Não é apenas uma formação formal. O conhecimento dos livros é certo, mas não há respostas para a interação humana, essa sensibilidade é muito importante”, disse o estudante.
Só no final de novembro/começo de dezembro a Liga realizou duas ações de conscientização referentes ao dezembro vermelho que, assim como o outubro rosa e o novembro azul, com as campanhas de conscientização dos cânceres de mama e próstata, respectivamente, é o mês de combate à Aids. Os trabalhos começaram com uma campanha comemorativa ao dia 1º de dezembro, Dia Mundial do Combate à Aids, em que a Liga distribuiu panfletos informativos, camisinhas masculinas e femininas e aplicou 400 questionários à população para saber qual o nível de informação que as pessoas têm sobre a doença, tudo com o apoio da OSC Gesto.
“Levamos com um banner em forma de coração com camisinhas e realizamos questionários para identificar o conhecimento e a sanar as dúvidas da população. Uma coisa interessante é que muitos idosos quiseram participar, mas apesar de haver esse interesse, é uma população que pede atenção, já que o número de casos aumentou muito, devido ao prolongamento da vida sexual, a ajuda dos farmacológicos”, disse Roveri, acrescentando que o trabalho não foi apenas de pesquisa, mas sim uma intervenção pedagógica com a comunidade.
A segunda ação foi a 1ª Jornada de Infectologia realizada no dia 4 de dezembro, no Restaurante Popular, em Pelotas. O local é administrado pela OSC, e atende a comunidade carente. “É um trabalho bem bonito realizado no Restaurante. Eles são praticamente uma comunidade, que não atendem apenas pessoas com HIV, e mantêm as refeições com preços baratos”. Na Jornada estiveram presentes três professores, dois palestrantes e um representante da Gesto. “O que teve maior destaque foi a terceira conversa, com um representante cedido pela OSC de um grupo de pessoas com HIV. Ele disse como é viver com a doença, quais são os efeitos colaterais do coquetel. Nessa ocasião, além dos 70 alunos inscritos, tivemos a participação da comunidade soropositivo, eles fizeram perguntas e interagiram. Por conta disso, as palestras foram niveladas para os leigos e para a comunidade acadêmica”, afirmou o futuro médico.
Para encerrar as atividades da Liga em 2013, o trabalho foi uma ação de Natal, enfim se unindo com as demais atividades solidárias de final do ano, mas reafirmando seu espaço como mantenedores de boas ações durante os 365 dias do ano. A ação de Natal contou com dezenas de crianças, além de jovens e adultos que se juntaram à OSC Gesto e à Liga Acadêmica para uma confraternização. “Além de comidas como algodão doce, pipoca, picolé e cachorro-quente, os convidados, principalmente as crianças, contaram também com pula-pula, cama elástica e um coral de Natal, composto por pessoas da terceira idade”, disse Roveri. Um Papai Noel ainda distribuiu brinquedos, bijuterias e esmaltes arrecadados pela Liga, e o trabalho, além de alegrar a comunidade atendida pela Gesto, ajudou a formar médicos mais humanos, que farão o bem, sem olhar a quem.
Função da Liga Acadêmica de Infectologia
Segundo o vice-presidente, a Liga atua nos três pilares que existem dentro da universidade: ensino, pesquisa e extensão. Na área do ensino, são realizadas reuniões semanais para discutir casos clínicos, comentar artigos científicos, e fazer seminários, além de participações na Semana Acadêmica e minicursos. Na pesquisa, o trabalho é voltado para publicação de artigos científicos e outros trabalhos. E a extensão está ligada aos trabalhos realizados na comunidade, como estes com o apoio da OSC Gesto.
A OSC Gesto
A Gesto promove, colabora, coordena eu executa serviços, projetos que desenvolvem ações de forma continuada, permanente e planejada, prestando serviços e execução de programas voltados para a defesa e efetivação dos direitos socioassistenciais, construção de novos direitos, promoção da cidadania, enfrentamento das desigualdades sociais, articulação com órgãos públicos de defesa e de direitos, dirigidos ao público da política de assistência social. Além disso a OSC promove o voluntariado, contribuindo para a diminuição da violação dos direitos humanos, dos riscos e das vulnerabilidades sociais
Segundo Roveri, a OSC Gesto é bem atuante em Pelotas e na Infectologia, principalmente por que o Rio Grande do Sul é o Estado com maior número de casos de HIV/Aids. Ela ajuda e patrocina a Liga Acadêmica de Infectologia, que em troca dá suporte de recursos humanos e realiza atividades conjuntas.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados