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17-01-2014

Piratini: O drama de quem vive à beira da sanga


Foto: Nael Rosa Lama e a água da enxurrada danificaram a residência

A chuva de 85 milímetros registrada somente na área urbana na terça-feira (14) causou uma noite de pânico para a funcionária pública Vera Lopes, moradora da rua 15 de Dezembro, bairro Sinuelo. Como ocorre nas épocas de chuva em grande quantidade, a residência de Vera foi invadida novamente pela água, atingindo inclusive a garagem onde se encontrava o carro da família.


A causa do transtorno e prejuízo de Vera está a menos de dez metros das moradias: à direita, a problemática Sanga da Ernesta, por onde passa a água da chuva, além de esgoto e do lixo deixado pelo trajeto; à frente, um bueiro que, em seu prolongamento, passa por baixo da casa e ao transbordar se torna o principal responsável pela inundação.



Vera relembra os momentos difíceis vividos na madrugada. “Ficamos ilhados, e um foi um desespero. Todos os anos, inverno e verão, enfrentamos esse problema, mas nunca havia sido tão grande, achei que a casa ia cair. Estávamos eu, meu neto e meu filho, e não conseguimos dormir porque tinha água por todos os lados. Já pedimos várias vezes, inclusive ao prefeito, que tire este bueiro que está causando também a erosão”.


A água subiu cerca de meio metro e atingiu a habitação dos fundos, até bem pouco tempo ocupada pela filha de Vera. Ainda não se sabe a causa do entupimento do bueiro que causou o estrago. Segundo a moradora, se a situação fosse outra, pensar em uma tragédia não seria exagero. “Minha filha mudou-se daqui há pouco tempo, mas, com a água tão alta se ela estivesse dormindo poderia ser trágico”.


Em quatro dias de chuva, Piratini registrou 202 milímetros de chuva e, diante da previsão de continuidade da precipitação pluviométrica, Vera confessa que não tem coragem de permanecer na residência, e critica a Prefeitura de Piratini. “Se esse bueiro, que já pedi a eles tirarem, arrebentar, minha casa vai abaixo, e isso é muito sério. O que acontece aqui é um descaso conosco, pois é uma obra simples de ser feita. Depois que a chuva matar alguém não adianta eles virem aqui”, finaliza. A reportagem do Jornal Tradição Regional tentou contato com o secretário de Urbanismo, Miguel Porto, para que ele se manifestasse sobre o assunto, porém, até o fechamento desta edição, não houve manifestação.


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