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31-01-2014

Solução para Ponte do Costa de Piratini parece estar longe de acontecer


Foto: Tainã Valadão Placa avisa situação da ponte, mas morador colocou galhos no local da cratera para sinalizar melhor o perigo

Já se tornaram incontáveis as manifestações e pedidos para que o governo do Estado tomasse providências em relação à ponte sobre o Arroio do Costa, localizada no km 20 da ERS-702, responsável por ligar a BR-293 ao município de Piratini. A “novela” piratiniense já contou com promessas que ludibriaram as cidades da região sul, feitas desde o governo Olívio Dutra (PT), e ratificadas pelas gestões de Yeda Crusius (PSDB) e Tarso Genro (PT).


Todos os governos prometeram, mas até hoje nada foi feito. Mesmo depois de diversas tragédias devido às más condições da ponte – em casos como o da colisão de duas carretas em setembro de 2009, e até mesmo na morte da jovem Franciele Kittel, 26 anos, em janeiro do ano passado –, o descaso tanto da esfera estadual, quanto federal, segue sendo preocupante.



Sem perder tempo, o ano de 2014 começou com reiteradas promessas. Além da Ponte do Costa, o governo anunciou investimentos nas ERS-702 e ERS-265. A garantia foi do vereador e presidente do Partido dos Trabalhadores de Piratini, Lourenço de Souza, depois de reunir-se com o diretor geral do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), Carlos Eduardo de Campos Vieira. Conforme o petista, o projeto já está em fase de licitação, agora resta saber quais serão as empresas interessadas em realizar a obra. “Se não houver nenhum imprevisto, deverão começar a construção da nova ponte ainda neste ano”, garante Souza.


Uma placa foi colocada para indicar o defeito na ponte. Porém, devido à cratera na travessia, foi julgado prudente por um piratiniense a colocação de um galho de árvore, para servir de alerta a motoristas desatentos, e prevenir novas tragédias.


A Ponte do Costa


Segundo o professor, historiador e servidor da biblioteca pública do município, João Manoel Ferreira, 52 anos, e com base em livros, como Roteiro Histórico e Sentimental de Piratini, de Davi Almeida; e História e Memória de Piratini, de Iracema Dutra, pode-se afirmar que as obras da Ponte do Costa foram iniciadas em 1933, durante o governo do prefeito Egydio da Costa Rosa. “Os materiais, vindos do exterior, provavelmente trazidos por navios, desembarcavam no porto de Rio Grande e eram trazidos de trem até Pedro Osório, de onde seguiam sendo transportados em carretas de bois até o local da construção”, disse Ferreira.


Outra peculiaridade comentada pelo historiador foi a respeito da resistência da ponte, que permaneceu intacta após a grande enchente que atingiu a cidade de Pedro Osório em 1959, ficando marcada na história pela destruição no município vizinho. “Hildebrando Garcia era o cozinheiro responsável pela alimentação dos homens que trabalhavam nesta importante obra para o desenvolvimento de Piratini”, mencionou o historiador.


Contador de causos e respeitado por sua sabedoria na comunidade, Adel Vaz Bandeira, de 76 anos, retransmitiu histórias que a ele foram passadas, não confirmando a veracidade das mesmas. “O material serviria para a fabricação da ponte sobre o Rio São Gonçalo, em Pelotas, mas apor um erro do engenheiro, não foi possível fazê-la. Com isto, eles decidiram usar o material na Ponte do Costa em outra ponte em Pedro Osório, esta já inutilizada”, contou. Porém, a única afirmação feita por Bandeira foi em relação a inauguração da ponte, que, conforme ele, aconteceu entre 1934 e 1936, na gestão do capitão Edmundo Ossuoski. “Me recordo que o advogado Décio, hoje já falecido, em meados de 1990 me disse que havia ido na inauguração do Costa, e tinha ocorrido uma grande festa, com muito churrasco”, relatou.


Acidentes e manifestações


Em 26 de janeiro do ano passado, a estudante Franciele Kittel, de 26 anos, morreu após chocar-se contra a mureta lateral que antecede a Ponte Costa. O choque foi tão violento que a parte da frente do veículo, junto ao motor, acabou dentro do carro, provocando a morte instantânea da condutora e impedindo que tanto a Brigada Militar, quanto o Samu, realizassem qualquer procedimento para ajuda-la. Segundo informação na época, a possibilidade era de que Franciele teria perdido o controle do veículo devido à velocidade em que dirigia, num trecho onde há necessidade de redução considerando as irregularidades da pista.


Mas este não foi o primeiro acidente na ponte. Em junho de 2001, o choque entre dois caminhões resultou na morte de Luís Edilmar Rodrigues da Silva, de 25 anos, também deixando feridos Everaldo Brum Sampaio e Sidnei Souza, que estavam no outro veículo. Em janeiro de 2003, outro acidente entre carros maiores. O choque entre um caminhão e um ônibus deixou duas pessoas feridas, sendo que o caminhoneiro Jean Carlos Joanol Neutzling, ficou preso às ferragens, sendo resgatado pelo Corpo de Bombeiros de Pelotas (CBPel).


Em agosto de 2012, outro acidente, sem nenhum ferido, interrompeu o trânsito na Ponte do Costa. Com veículos carregados de adubo, pesando cerca de 30 toneladas cada, Sidnei de Souza, 53 anos e Veraldo Neide Rodrigues, 60 anos, viajavam próximos para entregar a carga e ao aguardar um carro que cruzava a travessia de mão única, Veraldo parou na entrada da ponte. O cunhado Sidnei tentou fazer o mesmo, quando percebeu que estava sem freios, precisando fazer uma manobra arriscada para evitar uma queda no rio. O dano material causado pelo acidente foi avaliado em R$ 20 mil.


Além dos acidentes, só em 2012, a ponte do Costa foi interditada três vezes para reparos nos tabuleiros pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer/RS). A cada reparo, uma promessa de solução para o problema da ponte. Mas, em 2013, preocupados com os acidentes e cientes do atraso no escoamento da produção local causado pela Ponte, a comunidade piratiniense interditou a ponte por quase duas horas exigindo melhorias no local por parte do governo do Estado.


A rodovia é a principal ligação de Piratini com a região central do Estado, através das BR-293, BR-116 e BR-392. A Ponte do Costa só permite a passagem de um veículo de cada vez e, para piorar o cenário, não há sinalização como semáforos, sendo um entrave para o desenvolvimento econômico e social da cidade, além de, como relatado, ser um perigo constante para os usuários.


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