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21-02-2014

Canguçuenses relatam experiência no 6º Congresso Nacional do MST, em Brasília


Foto: Xiru Gonçalves Participantes contam momentos marcantes durante evento


Geovani da Silva e Manoela Huck estavam entre os canguçuenses que foram à Capital Federal e participaram, durante uma semana, dos principais debates sobre Reforma Agrária e Projeto Popular



Pelo menos 22 canguçuenses participaram na última semana de um encontro promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que reuniu em Brasília (DF) dezenas de movimentos sociais do País, além de organizações estrangeiras. Ao todo, 16 ônibus gaúchos seguiram em direção ao Distrito Federal para o encontro, realizado entre 10 e 14 de fevereiro. Militante da Via Campesina há vários anos, o estudante de medicina veterinária da UFPel, Geovani da Silva, participou de seu primeiro congresso do movimento. “Antes de irmos para Brasília, realizamos uma atividade de formação, onde conhecemos um pouco da história do Congresso e seus objetivos”. Silva conta que o momento foi de discussão, através de plenárias, mas também uma forma de dar visibilidade à produção agrícola desenvolvida nos assentamentos de todo o país. Canguçu e outros municípios da região ficaram encarregados de enviar farinha de milho, sementes crioulas, dentre outros produtos orgânicos. No total, os assentamentos gaúchos comercializaram mais de R$ 100 mil durante os cinco dias de evento.


A integrante da coordenação estadual do Levante Popular da Juventude, Manoela Huck, também participou pela primeira vez do Congresso. Na bagagem, vieram histórias e sonhos compartilhados por aqueles que fizeram da luta pela terra uma bandeira de vida. “Mas a Reforma Agrária não se resume à luta pela terra. Ela gira em torno de outras pautas, como a saúde e a educação, que devem estar articuladas dentro do campo popular”, explicam.


Aos 30 anos, MST projeta novos rumos


No ano em que o movimento completa três décadas de existência, os cerca de 15 mil integrantes que se reuniram em Brasília discutiram os novos paradigmas da organização. As plenárias apontaram para um processo de Reforma Agrária que deverá se modificar estruturalmente, como explica Manoela Huck. “Estamos abandonando a luta por uma Reforma Agrária clássica e iniciando a luta por uma Reforma Agrária Popular”. Manoela acredita que o país ainda não realizou sequer a forma clássica de Reforma Agrária. Ela utiliza conceitos econômicos para pontuar a diferença entre os dois sistemas. “Antes a necessidade era a distribuição de terras, porque a economia estava subjugada a um capital industrial. Agora, como a economia está mais ligada ao capital financeiro, além de distribuir a terra, é preciso criar mecanismos de produção, como agroindústrias”, analisa. O próprio lema definido pela 6ª edição do Congresso parece apontar para uma mudança na pauta de reivindicações: “Lutar, construir Reforma Agrária Popular”.


Manifestações de rua em 2014


Os dois participantes disseram que há uma grande tendência de que o movimento popular saia novamente às ruas neste ano. A perspectiva é de que as manifestações comecem bem antes do período marcado para início da Copa do Mundo.


Marcha e confronto com a Polícia


Manoela e Silva não têm dúvidas de que o momento mais marcante do Congresso foi a marcha de 20 quilômetros, quando os integrantes protestaram em frente ao Congresso, Ministérios, Supremo Tribunal Federal e embaixada dos Estados Unidos. O ato foi marcado por confrontos com o policiamento local. “O momento mais tenso foi quando começaram os abusos da Polícia”, conta Silva. O estudante relata que o MST se preparava para fazer uma denúncia dos assassinatos envolvendo a questão agrária nos últimos anos. Um ônibus transportava centenas de cruzes que simbolizavam os camponeses mortos na luta pela terra. “Então a polícia disse que as cruzes eram armas e tentou evitar o desembarque. Começaram as agressões e vários companheiros ficaram feridos”, resume. Os feridos foram atendidos por médicos voluntários, muitos deles integrantes do próprio movimento. Superadas as tensões, o Congresso foi encerrado com a proposta de luta irrestrita pela reforma agrária popular, uma demanda articulada com outros projetos defendidos pelo movimento, como saúde, educação e condição de vida digna para os moradores da cidade e do campo. O próximo congresso do MST deverá ocorrer em 2019.


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