S�bado, 04 de julho de 2026, 17:34h
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Os “constantes milagres” que estariam partindo da filial Piratini da Igreja Mundial estão na mira do Ministério Público depois que a mãe de uma menina de 14 anos, levada às reuniões pela avó, procurou a promotoria para denunciar o uso indevido da imagem da criança nas redes sociais, além do crime de charlatanismo, que na linguagem popular é ainda chamado de curandeirismo. Esta infração ao Código Penal caracteriza-se quando o acusado anuncia cura por meio secreto ou infalível, visto como crime praticado contra a saúde pública.
O fato, que gerou a queixa já investigada e concluída pela Polícia Civil, deu-se após o próprio pastor publicar em sua conta do Facebook a foto da menina, que é deficiente auditiva. Na postagem, copiada pela mãe e entregue à polícia, ele aparece junto à garota e com o aparelho auditivo em uma das mãos, o que atestaria o milagre, já que ela teria conseguido ouvir sem este auxílio. Porém a menina ainda mantém a surdez.
Assim, o pastor prestou depoimento ao delegado Edson Ramalho falando em desacordo com a acusação, e negando a versão concedida pela avó, que já foi ouvida. “Ao final da reunião eu sempre pergunto se algum milagre foi operado e, neste dia, a avó da adolescente ergueu a mão e foi ela mesma que tirou o aparelho”, disse o pastor em seu depoimento, o que é contestado pela responsável por levar a jovem ao culto. “Ela o responsabiliza por ter retirado o aparelho e por anunciar o milagre após ter feito três perguntas à menina, uma delas, seu nome, o que para quem sabe fazer leitura labial é possível entender e responder”, explica o delegado Ramalho.
Com a exposição da imagem sem a devida autorização, fica aberta também a possibilidade de um processo por danos morais, que poderá partir da família. O inquérito será remetido à justiça para a fase de audiências. A pena prevista em caso de condenação é de três meses a um ano de prisão.
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