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Foi sancionada pelo governador do Estado, Tarso Genro (PT), no dia 15 de janeiro, a lei de autoria do deputado estadual Edegar Pretto (PT), que torna a carreira de cavalos em cancha reta Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul. A solenidade que oficializou a promulgação desta lei aconteceu no último domingo (16), na Cancha da Carreiteira, localizada na comunidade Orlando Franco, 5º distrito de Piratini, e contou com a presença de diversas autoridades, como o deputado federal Dionilso Marcon (PT), e o secretário de Estado da Cultura, Luiz Antonio de Assis Brasil.
Na ocasião, foi discursado pelo deputado Pretto o objetivo do projeto e o porquê da escolha da 1ª Capital Farroupilha para sediar a cerimônia. “Foi aqui que surgiu esta magnífica ideia, que posteriormente chegou até mim, e hoje, já é uma realidade em todo o Estado”. Conforme o proponente, o tema foi estudado e, quando apresentado na Assembleia Legislativa, teve amplo apoio de seus pares. “Eu disse para meus colegas: esta é uma das mais antigas tradições do povo gaúcho. Antes mesmo de se usar pilcha, eram realizadas essas disputas”, detalhou.
O prefeito municipal, Vilso Gomes (PSDB), foi além, sendo ovacionado pelos presentes ao instigar a criação de um novo projeto. “Mesmo sendo de partidos contrários, tenho que reconhecer os méritos deste parlamentar. Digo mais, porque não tornar os rodeios patrimônio cultural do Estado também?”, questionou.
Já o proprietário da Cancha da Carreteira, Carlos Leonel de Oliveira, 46 anos, comemorou a aprovação do projeto. “Isto nos dará um respaldo maior para que possamos sediar eventos. Mesmo ainda sendo ilegal as apostas, é uma ótima oportunidade para admiradores do esporte prestigiarem a disputa”, argumentou.
História e criação do projeto
Depois de imposições do Ministério Público, que resultaram em aproximadamente dois anos sem eventos relacionados a carreiras no município, o professor e proprietário da popular “Cancha da Ponte”, no 5º distrito, Jimmy Carter Gonçalves, 35 anos, viu como solução para o problema a criação de um projeto, de âmbito municipal, que tornaria as corridas como patrimônio histórico e cultural do município.
Foi decido por ele entregar o teor do documento ao vereador oposicionista Cláudio Dias (PMDB), que o levou à Câmara de Vereadores no ano de 2011. Em votação, o projeto foi aprovado unanimemente pelos nove vereadores da cidade. Naquele mesmo ano, foi promulgado pelo prefeito Vilso Gomes, e entrou em vigor na lei orgânica municipal.
Todavia, com o intuito de ampliar a nível estadual a lei, foi procurado o deputado petista, que se encarregou de leva-lo a plenário em 2012. No ano seguinte, o PL 223/2012 apreciado pelos parlamentares, foi aprovado por unanimidade, e posteriormente, sancionado pelo governador Tarso Genro.
MP rechaçado por autoridades
Dentre os discursos, algumas das autoridades não pouparam críticas ao Ministério Público (MP) de Piratini. Edegar Pretto, por exemplo, disparou a seguinte frase: “como é que pode meus amigos, pessoas que estudaram tanto, que ocupam cargos tão importantes, serem tão ignorantes e tão sem cultura como estes que querem impedir um esporte símbolo do Estado”.
Em sua fala, Marcon indagou porque o MP não ajuda os usuários de drogas, ao invés de preocupar-se com causas de menor importância. “Com tantos jovens envolvidos com drogas em todo o país, o Ministério Público preocupa-se com quem esta correndo uma Carrera. Eu fico indignado quando vejo a justiça fazendo isto”, exprobra.
Carreira ilustrou cerimônia
Para comemorar a regulamentação estadual do evento, ocorreu na mesma tarde do ato solene, uma carreira, integrada por cinco equinos de cidades distintas do Estado. Na primeira corrida, o cavalo Don Ruan, de Bagé, competiu contra a égua Malacara, representante de Encruzilhada do Sul. Neste embate, o equino bageense levou a melhor, e venceu com certa vantagem.
Já na penca seguinte, o cavalo Cacundo, de Arroio Grande, enfrentou a égua Baixinha, de Bagé, e o cavalo Loteiro, de Pelotas. Antes da largada, tinha-se a expectativa de uma disputa equilibrada e emocionante ao público. No entanto, a égua bageense sobressaiu-se e venceu com folga.
Como os dois animais de Bagé haviam se inscrito em chave, não houve uma terceira corrida, que definiria o animal vencedor. O jóquei responsável por conduzir os animais ganhadores, Luís Carlos da Silva Barreto, celebrou a vitória. "Estávamos bem preparados, e isto é um reconhecimento de nossa dedicação", enaltece.
José Valdeci Maurenti, vulgo "Neguinho", proprietário de um dos animais, destacou a vitória do Estado naquela tarde. "Nós vencemos esta corrida, mas com a promulgação desta lei, quem ganhou foi o Rio Grande do Sul", exalta.
Jovem cantora emocionou público
Com apenas 11 anos de idade, a cantora riograndina Natalia Guastuci Witte foi a responsável por emocionar e sensibilizar praticamente todos os presentes na cerimônia. Depois do final dos discursos, seu timbre marcante conquistou a plateia, que acompanhou um repertório envolvente e com fortes traços da música nativa rio-grandense.
Mesmo com deficiência visual, Natalia não se abateu. Ao contrário, buscou na música, uma motivação para seguir vencendo diariamente novas batalhas. “Eu quero servir de exemplo para muita gente. Se acreditarmos em nós mesmos, seremos capazes de qualquer coisa”, incentiva. O CD da artista, intitulado “Além da Visão”, era procurado e comercializado durante a apresentação.
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