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Em Solidez, no 2º Distrito, Sérgio Pasa localizou árvores de erva mate junto a lavouras de milho e tabaco
Preços pagos ao produtor estão acima da média histórica, com o quilo da folha sendo comercializado a R$ 1,30
A mata fechada nas localidades de Herval e Solidez, no 2º Distrito, pode ter abrigado durante décadas aquilo que será uma nova matriz produtiva na Região Sul. Na última semana, o técnico agrícola Sérgio Pasa percorreu dezenas de propriedades no 2º Distrito em busca de plantas de erva-mate. Um dos agricultores visitados foi Mário Scherwinski. Aos 68 anos, ele conta que a região já foi povoada por pés de Ilex paraguariensis, nome científico da erva. A planta era considerada uma importante fonte de renda para os moradores da região. “Na Colônia Triunfo havia muitas dessas árvores. Elas nasciam ‘por conta’, ninguém plantava. Cada colono tinha um secador e o pessoal costumava moer com um facão de madeira”, recorda.
O agricultor lembra que chegou a tomar chimarrão da erva nativa da localidade. “Era uma erva bem grossa. Os colonos enchiam a carroça e saíam a vender, de armazém em armazém”, conta. O projeto do governo Estadual está em fase inicial, conforme explica Sérgio Pasa, que atua junto à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio. O técnico agrícola tem viajado pelo interior dos municípios da região em busca de sementes. “Estamos correndo contra o tempo, porque as sementes já entraram na fase de amadurecimento e precisam ser colhidas”, explica.
Depois de recolhidas, as sementes passarão por um processo técnico, em parceria com a Prefeitura, para a produção das mudas. A busca por sementes nativas de cada localidade se justifica diante da garantia de adaptação ao terreno e pela qualidade das plantas. Para o agricultor Adolfo Griep, a procura por variedades nativas do município é fundamental. Ele conta que a tentativa de produzir erva mate a partir de sementes de outras regiões já foi testada em sua propriedade e não funcionou. “Há muitos anos a Emater distribuiu mudas. Plantei dez pés e nenhum cresceu. Aquela variedade não se adaptou à nossa região. Tem gente que plantou 150 mudas e também não deu certo”, analisa Grip, que mantém em sua propriedade algumas árvores da variedade nativa com mais de 20 anos. As plantas, que com manejo variam entre 3 e 5 metros, podem alcançar até 25 metros se crescerem junto à mata, sem interferência humana.
Curso
Entre terça (25) e quinta-feira (27), quinze alunos participaram do curso de produção de mudas e implantação e manejo de ervais, realizado nas dependências do Sindicato Rural. As aulas foram ministradas pelo engenheiro florestal e instrutor do Senar, Roberto Ferron, que também é diretor executivo do Instituto Brasileiro da Erva Mate.
Nome da localidade seria uma referência à antiga produção
Desde que começou a trabalhar na Rádio Comunitária Kerb, em Herval, o repórter Marcos Schwab ouve histórias sobre a origem do nome da localidade. “Os moradores mais antigos falam que aqui havia muita erva mate e que por isso o local passou a ser conhecido como Herval”, relata. A versão é confirmada por vários fumicultores da região, como Rudi Bubolz. O agricultor ainda mantém em sua propriedade antigos pés de erva mate e comemora a possibilidade de ver a localidade se tornar um novo polo produtivo. “Se a região voltasse a produzir erva seria muito bom. Inclusive para mim, que tomo mate três vezes por dia”, diz, bem humorado, com a cuia de chimarrão nas mãos.
Os motivos que levaram ao fim do ciclo produtivo em Canguçu e nas cidades da região são desconhecidos até mesmo para especialistas no assunto. É o caso do diretor executivo do Instituto Brasileiro da Erva Mate, Roberto Ferron, que pesquisa o assunto há mais de 20 anos. “Pela bibliografia que tenho pesquisado, posso garantir que essa região foi um grande polo produtor nas décadas de 1930 e 1940. Porém, o que levou ao declínio daquela produção ainda não sabemos”, pontua.
Cidades da região onde já foram encontradas mudas nativas
Arroio do Padre, Camaquã, Canguçu, Cristal, Dom Feliciano, Morro Redondo, Pelotas, Piratini, São Lourenço do Sul, Tapes e Turuçu.
O ciclo da produção
Cada muda leva em média quatro anos e meio para iniciar a produção. O ciclo pleno é alcançado aos oito anos.
Mercado em alta
Conforme o diretor do Ibramate, Roberto Ferron, os preços pagos ao produtor estão acima da média histórica. O valor da arroba chega a R$ 20, ou aproximadamente R$ 1,30 pelo quilo da folha. No segundo semestre de 2013 os preços foram ainda mais altos, com a arroba alcançando R$ 32. “A tendência do mercado é de que o valor atual seja mantido, o que considero um preço justo para produtores, indústria e consumidores. Estamos num índice muito bom, que garante equilíbrio e sustentação para a cadeia produtiva”, avalia.
O setor ervateiro em números
O Rio Grande do Sul, maior consumidor de erva mate do país, ocupa o segundo lugar na produção, com 30,8 mil hectares cultivadas. Em primeiro está o Paraná, que cultiva 31,8 mil hectares. No Brasil, o plantio de erva mate ocupa 71,3 mil hectares, o que gera uma produção anual de 443.635 toneladas, extraídas de 33 mil propriedades rurais. Segundo dados do Ibramate, a atividade gera cerca de 700 mil empregos diretos e indiretos.
Os próximos passos
Depois do curso realizado em Canguçu, a ideia é expandir a atividade para outros municípios, firmando parceria com as prefeituras para a produção de mudas. A iniciativa busca transformar a região no 6º polo gaúcho de produção, o que garantiria uma nova opção de renda aos agricultores. Atualmente, o RS tem cinco regiões que se dedicam ao setor: Alto Taquari, Alto Uruguai, Nordeste, Missões e Baixo Taquari.
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