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Piratini e deputado disputam controle sobre proposta de entrada de pai e mãe de servidores em plano de saúde
Dois projetos de lei sobre o mesmo tema — a ampliação do rol de beneficiados pelo Ipe-Saúde — estão no centro de uma disputa entre o Palácio Piratini e a oposição. O deputado estadual Paulo Odone (PPS) acusa o governo Tarso Genro de querer "ganhar politicamente" em cima de uma ideia de sua autoria, apresentada dois anos antes.
Nenhuma das propostas, no entanto, apresenta um cálculo para o impacto financeiro da ampliação dos beneficiários do plano de saúde. A de Odone chega a oferecer assistência gratuita sob algumas condições.
O projeto do deputado, que autoriza os servidores públicos a incluírem pai e mãe como dependentes no Ipe-Saúde, uma antiga reivindicação da categoria, tramita na Assembleia desde 2011. Está pronta para ir à votação, o que pode ocorrer nos próximos dias.
Em 2013, enquanto a iniciativa do parlamentar era debatida, o Executivo estadual decidiu enviar ao Legislativo uma proposta semelhante. Na semana passada, o Piratini pediu regime de urgência para o texto, em meio a um pacote de cerca de 20 projetos. O regime de urgência é um instrumento que estabelece a votação de uma proposta em até 30 dias. Após o encerramento desse prazo, a pauta da Assembleia fica trancada até a apreciação do texto.
A medida irritou Odone e causou surpresa na oposição. O deputado diz que seu texto já poderia ter sido votado — só não foi por falta de quórum. O fato de 2014 ser um ano eleitoral, na avaliação do parlamentar, pode ter pesado na decisão do Piratini. “Meu projeto passou por todas as comissões e foi discutido em audiência pública. O governo percebeu que o texto vai ser aprovado e fez essa jogada política para ganhar em cima dele. Só que o projeto apresentado é vago”.
A hipótese é contestada pelo líder do governo na Assembleia, Valdeci Oliveira (PT). Conforme o petista, a proposição de Odone foi considerada "muito ampla" pela cúpula do Piratini. Foi por isso que, segundo ele, optou-se por criar uma alternativa. “Ninguém aqui quer fazer disputa política e não há nenhuma intenção de desrespeitar o Odone. Pelo contrário. Estamos conversando sobre o assunto há muito tempo. Pretendo achar uma alternativa de negociação que contemple as duas propostas. Queremos chegar a um acordo”.
O que está em debate
Projetos ampliam rol de beneficiados por assistência médica, mas não apresentam impacto da medida
O que é o Ipe-Saúde
É o plano de saúde do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (Ipergs), fundado em 1931. Presta assistência para mais de 1,1 milhão de pessoas, principalmente servidores civis e militares estaduais e seus dependentes.
Os beneficiados
Hoje, os servidores que contribuem para o Ipe-Saúde não podem incluir os pais como dependentes. São aceitos apenas cônjuges e filhos. Para mudar isso, duas propostas estão sendo discutidas na Assembleia Legislativa.
As propostas
O projeto mais antigo em tramitação é do deputado Paulo Odone (PPS). O mais recente é do governo Tarso Genro. Ambos alteram a Lei Complementar nº 12.134, de 26 de julho de 2004, que trata do IPE-Saúde.
O que diz a proposta de Paulo Odone
(Projeto de Lei Complementar nº 154/2011)
— Torna possível a inclusão de pais e mães de servidores no IPE, desde que comprovem ser economicamente dependentes do filho (não podem ter renda superior a R$ 1,1 mil).
— Uma emenda apresentada por Odone determina que parte dos servidores pague uma contribuição para poder inscrever os pais, a ser definida por cálculo atuarial.
— Esse pagamento não será exigido dos servidores com remuneração mensal de até R$ 4,4 mil (quatro vezes o valor máximo do piso regional). Os demais terão de pagar, mas são minoria. A maioria do funcionalismo estaria livre da taxa.
O que diz a proposta do governo
(Projeto de Lei Complementar nº 158/2013)
— Torna possível a inclusão de pais e mães de servidores no IPE, mediante contribuição a ser calculada. A taxa pode ser salgada, pois envolve assistência a pessoas de idade.
— Não exige, no entanto, a comprovação de dependência econômica dos pais em relação ao servidor e não abre exceções na cobrança da contribuição.
— Todos os servidores que optarem por incluir os pais no plano, independentemente de quanto recebem, terão de pagar uma taxa por isso, de valor ainda indefinido. O tamanho da contribuição dependerá de regulamentação.
Fonte: Zero Hora
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