Sexta, 10 de julho de 2026, 23:25h
Home Cultura e turismo
Na década de 1980, Capão do Leão chegou a ter 500 cortadores, a maioria jovens. Agora, apenas 200 trabalham nas jazidas e grande parte tem mais de 40 anos
Ao completar 30 anos de emancipação política, Capão do Leão relembra uma das profissões que ajudaram a moldar o município - transformando-o em uma terra de pessoas fortes e trabalhadoras - o graniteiro. O granito é uma pedra abundante em Capão do Leão, e até hoje serve como fonte de renda para uma parte da população leonense, através de produtos manufaturados para a construção civil como os paralelepípedos (aduquinhos), pedras de alicerce, construção ou ainda de obra, molões, cortes para meio-fio, moirões e, ocasionalmente, blocos graníticos destinados a empresas de fora do município que, normalmente, trabalham com exportação de rocha.
De um passado artesanal, passando por uma fase mais técnica – na época das grandes companhias extrativistas – até o retorno, em parte, ao modo artesanal de lidar com a pedra – contando com algumas facilidades tecnológicas -, o graniteiro enfrenta até hoje muitas dificuldades para realizar o seu trabalho que exige força física, mas, antes de tudo, muita paciência. Hoje, a maioria dos graniteiros leonenses sobrevivem da exploração de pequenas pedreiras, que abundam na encosta da Serra do Granito, no Cerro das Almas, no Descanso e no Passo das Pedras. No entanto, o trabalho exaustivo e pouco valorizado – o milheiro dos aduquinhos é vendido, em média, a R$ 600,00 - acaba por desmotivar os mais jovens a assumir o lugar dos pais, fazendo com que as técnicas envolvidas no processo sejam conhecidas por poucos.
Prova disto, é que na década de 1980, Capão do Leão chegou a ter 500 cortadores, a maioria jovens. Agora, apenas 200 trabalham nas jazidas e grande parte tem mais de 40 anos. O motivo é a falta de perspectivas para o futuro, já que, por exercerem profissão autônoma, acabam não tendo acesso a direitos trabalhistas em caso de doença e velhice. Que o diga Ibraim Campos, de 65 anos, que há mais de 20 anos trabalha em pedreiras – fora o período que atuou como funcionário municipal, o que permitiu a sua aposentadoria. “Se eu fosse depender da pedra pra viver não dava. Antes se ganhava dinheiro, mas hoje o que pagam é muito pouco, a gente trabalha muito e tem muita responsabilidade”, afirma o aposentado, lembrando as leis e exigências ambientais que devem ser cumpridas para obter a licença de exploração.
Associar para fortalecer
Foi pensando em fortalecer o setor em Capão do Leão que foi criada há cerca de oito anos a Associação de Minérios e Granito de Capão do Leão (Asmigra), que reúne hoje cerca de 16 graniteiros e ajuda os associados a conseguir uma área para trabalhar, facilitando a liberação das licenças. Presididos pelo graniteiro Valdemar Coelho Latorre, de 51 anos – há 20 no setor -, juntos eles tentam pressionar o poder público para a realização de mais investimentos no setor como a liberação de máquinas para a escavação das pedreiras. “Hoje temos pouco apoio da prefeitura. Pagamos R$ 80,00 para alugar uma máquina para abrir a frente de uma pedreira. Se a prefeitura ajudasse, facilitaria o nosso trabalho”, afirma Latorre.
Conforme ele, a profissão exige muitos gastos, pois o Governo Estadual solicita do graniteiro a adequação a uma série de normas para trabalhar. Dentre elas, o reflorestamento ambiental, depois do esgotamento da pedreira explorada. “De onde nós tiramos terra, temos que tapar o buraco e plantar mudas nativas na área. Só que cada muda custa R$ 2,50, o que acaba encarecendo o trabalho”, explica o presidente, ressaltando que não é contra o reflorestamento, só acha que deveria haver mais apoio por parte das autoridades públicas. Com relação ao rendimento, Latorre informa que, dependendo do ritmo de trabalho e das condições climáticas, é possível retirar até 200 aduquinhos por dia, sendo que cada um é vendido por cerca de R$ 0,06.
Fechar X
Fechar X
07-05-2012 - 16h19min
Nos trilhos do tempo, um caminho para o futuro
07-05-2012 - 16h12min
No caminho das pedras: Extração de granito ajudou a dar forma à comunidade leonense
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados