Sexta, 10 de julho de 2026, 23:23h




Galerias

Especiais

Jornal Tradição

II Caderno Especial Fenadoce 2019 2019/06

Receitas

Tabule

Assine


Home Educação

Educação

07-05-2012

Educação Especial: Capão do Leão dá um ‘sai pra lá’ no preconceito e investe na inclusão social


Foto: JTR Para os especialistas, a Educação como meio de aperfeiçoar as aptidões físicas, intelectuais e morais acontece tanto no convívio familiar como em sala de aula

Um desenho feito com uma só cor tem muito valor e significado, mas não há como negar que a introdução de matizes e tonalidades amplia o conteúdo e a riqueza visual. Foi a favor da diversidade e pensando no direito de todos de aprender, que a lei nº 7.853 - que obriga todas as escolas a aceitar matrículas de alunos com deficiência e transforma em crime a recusa a esse direito - foi aprovada em 1989 e regulamentada em 1999. Graças a isso, o número de crianças e jovens com deficiência nas salas de aula regulares não para de crescer: em 2001, eram 81 mil; em 2002, 110 mil; e em 2009, mais de 386 mil - aí incluídas as deficiências, o Transtorno Global do Desenvolvimento e as altas habilidades.


Em Capão do Leão, gestores e diretores de escolas públicas não estão sozinhos no trabalho de apoio e ensino de alunos com necessidades especiais, e contam com a importante colaboração da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) criada em 2006 no município e que hoje atende 80 crianças com as mais variadas necessidades. Segundo a diretora da entidade leonense, a pedagoga Tatiana de Albuquerque Ferreira, de 38 anos, a entidade conta com poucos recursos para o atendimento da comunidade, mas trabalha com dedicação para suprir a demanda que cresce a cada ano. “Aqui, os alunos encontram toda uma estrutura preparada para atender cada tipo de necessidade com salas multifuncionais e profissionais capacitados, prontos para dar todo suporte às crianças e jovens que atendemos”, revela Tatiana.



Conforme a diretora, a APAE é uma entidade filantrópica que funciona em parceria com a prefeitura e conta com o apoio da comunidade – os chamados sócios - que, através de doações e contribuições mensais, ajudam a manter a estrutura do centro. “Mesmo com a ajuda dos sócios, hoje nós não conseguimos atender toda a demanda do município. Seria necessária uma equipe muito maior para isso e não dispomos de recursos para a contratação de mais funcionários, o que acaba sobrecarregando um pouco o nosso trabalho, mas nada que tire nossa vontade e motivação”, afirma Tatiana. “Precisaríamos de mais apoio para conseguir atender mais crianças, mas confiamos que com a divulgação do nosso trabalho, a comunidade vai conhecer e entender a importância do nosso trabalho”, aposta.


Especialíssimos


Ensinar crianças e jovens com necessidades educacionais especiais ainda é um desafio. Nos últimos 11 anos, período em que a inclusão se tornou realidade, o que se viu foi a escola atendendo esse novo aluno ao mesmo tempo que aprendia a fazer isso. Hoje ainda são comuns casos de professores que recebem um ou mais alunos com deficiência ou transtorno global do desenvolvimento (TGD) e se sentem sozinhos e sem apoio, recursos ou formação para executar um bom trabalho. Em Capão do Leão, todos os professores da rede regular que irão atuar com crianças com deficiência, passam por uma capacitação e são acompanhados por profissionais da própria APAE, que os orienta com relação às dúvidas ou problemas que possam enfrentar.


Para isso, capacitações e cursos são comuns aos profissionais que trabalham na APAE leonense – num total de 15 - divididos nos mais variados setores. “Todos recebem capacitação para saber como lidar com cada tipo de necessidade e quando um de nós participa de um curso diferente, faz questão de passar para os colegas o que aprendeu, ajudando a qualificar o trabalho”, explica Tatiana. Segundo ela, a equipe conta com fisioterapeutas, fonoaudiólogas, psicólogas e professores, além de merendeiras e auxiliares, empenhados em fazer o melhor para atender as dezenas de crianças que passam todos os dias pelo centro.


Família comprometida, resultados potencializados


Gestores preocupados com a questão e que buscam recursos e pessoal de apoio fazem da inclusão um projeto da escola. Dessa forma, melhoram as condições de trabalho dos professores que passam a atuar em conjunto com um profissional responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), a contar com diferentes recursos tecnológicos e a ter ciência de que o aluno com deficiência ou TGD não é responsabilidade exclusivamente sua. E com a parceria da família, as possibilidades de sucesso são ainda maiores. Que o diga a jovem Janieli de Oliveira Cardoso, de 23 anos, mãe da pequena Jamile Cardoso das Neves, de sete anos, diagnosticada após o primeiro ano de vida, com quadro de autismo.


Desde os dois anos, a hoje atenta e ativa Jamile frequenta a APAE leonense, no entanto, sua mãe conta que quando ela iniciou o tratamento, não falava, andava ou esboçava qualquer reação, quadro muito diferente do atual, já que Jamile, apesar de não gostar de conversa, acompanha, atenta, todos os passos das pessoas em volta, participando das atividades propostas e buscando interagir com as outras crianças. “Agora ela até briga comigo quando não quer uma coisa e antes não era assim. Os médicos demoraram a achar o que ela tinha e isso atrasou o tratamento. Se não fosse a APAE, que cuida das crianças de graça, nunca poderia tratar dela, por falta de condições. Agradeço muito o trabalho que é feito aqui”, revela emocionada.


Para os especialistas, a Educação como meio de aperfeiçoar as aptidões físicas, intelectuais e morais acontece tanto no convívio familiar como em sala de aula. A construção de mundo e a compreensão do universo escolar e do sentido da aprendizagem serão facilitadas se houver consistência entre o que o estudante vivencia no ambiente de ensino e nos demais a que pertence. “Como depositária da história do filho, a família revela características, hábitos, modalidades de relacionamento e estilos de comunicação que podem funcionar como um ponto de partida para a construção da ligação afetiva entre a criança e o professor”, explica a psicóloga Sônia Casarin,diretora do Serviço de Orientação sobre Síndrome de Down, em São Paulo.


De acordo com ela, o ser humano é um todo, não se fragmenta nos espaços aos quais pertence. Em cada um deles, é um ser por inteiro. Se na família se inicia a trajetória pessoal, na escola muitos capítulos serão escritos. “Além dessas duas instâncias, outra faz parte da vida da criança com necessidades especiais: os diversos profissionais e os serviços com os quais tem contato, como o atendimento educacional especializado. Ela é o ponto de convergência de todos esses atendimentos, que devem ser integrados”, afirma. Para ela, a necessidade de consistência e de articulação entre os diversos contextos coloca os pais e outros responsáveis na estratégica posição de articuladores e mediadores. “Isso possibilita também que a família se beneficie das ofertas de aprendizagem, adaptações e flexibilizações, valendo-se delas para dar continuidade a essas práticas no cotidiano dos filhos em casa”.


Educação Especial: Capão do Leão dá um ‘sai pra lá’ no preconceito e investe na inclusão social


Outras notícias desta editoria

Comentários (0)





Fechar  X

Educação Especial: Capão do Leão dá um ‘sai pra lá’ no preconceito e investe na inclusão social





O Jornal Tradição Regional não se responsabiliza pelo conteúdo do comentário e se reserva ao direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.


Serão vetadas as mensagens que:


  • Não tratarem do tema abordado na notícia;
  • Sejam repetidas as enviadas pelo mesmo leitor, ainda que com outras palavras;
  • Tenham intenção publicitária, de propaganda partidária, eleitoral ou comercial;
  • Tenham conteúdo ou termos obscenos ou ofensivos;
  • Incentivem racismo, discriminação, violência, medo ou outros crimes;
  • Promovam participação de correntes, spams ou lixo eletrônico.


As opiniões expostas não representam o posicionamento do Jornal Tradição Regional, que não se responsabiliza por eventuais danos causados pelos comentários. A responsabilidade civil e penal pelos comentários é dos respectivos autores. O usuário tem ciência e concorda expressamente com a prerrogativa de restringir quaisquer conteúdos que violem ou que possam ser interpretados como violadores às disposições do presente instrumento.

Enviado com sucesso!

Em breve, o Jornal Tradição
Regional entrará em
contato com vocé.

ok

Fechar  X

Educação Especial: Capão do Leão dá um ‘sai pra lá’ no preconceito e investe na inclusão social


Enviado com sucesso!

ok

Notícias Relacionadas

07-05-2012 - 16h01min
De olho na Educação inclusiva




Jornal Tradição Regional - O elo da notícia até você.

Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS

E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514

© Todos os direitos reservados