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Fernando Gomes (C) relaciona o número de óbitos às condições de saúde das mães
Durante os 103 dias de funcionamento da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal do Hospital de Caridade de Canguçu, cerca de 40 recém-nascidos foram atendidos. Destes, dez tiveram complicações e não sobreviveram. Quem apresenta os dados é o superintendente Fernando Gomes, que concedeu entrevista à Rádio Liberdade AM na quarta-feira (29).
Depois da abertura da UTI, em novembro do ano passado, crianças pré-maturas e com baixo peso, que antes eram encaminhadas para outras cidades, começaram a ser socorridas em Canguçu. A situação mudou a rotina da instituição, que desde sexta-feira (24) não recebe recém-nascidos. “Em alguns casos, recebemos mães que usavam drogas, viciadas em crack e com doenças como hipertensão, diabetes e infecção. É uma realidade que nós não vivíamos antes”, considera.
O gestor relaciona o número de óbitos às condições de saúde das mães, boa parte delas adolescentes. Ele destaca que a Secretaria de Saúde do Estado está realizando auditorias e capacitação de profissionais nas UTIs neonatal e a de Canguçu foi a primeira das 45 instituições. A auditoria aconteceu em janeiro.
A falta de médicos pediatras para atender à moderna estrutura de dez leitos climatizados foi apontada como “o mais angustiante”, sendo o maior motivo para o fechamento. Apenas quatro estavam à disposição, enquanto o Estado exige nove profissionais. “Nós tínhamos uma equipe montada, mas com a demora para inauguração os profissionais acabaram assumindo serviços em outras unidades de atendimento regional”, explica, referindo-se ao período de aproximadamente dez meses em que o Hospital de Caridade aguardou pelo credenciamento da UTI junto ao Ministério da Saúde para atender casos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além disso, os profissionais não eram remunerados de acordo com o que o mercado oferecia, devido ao alto custo de manutenção do serviço. A situação crítica provocou mudanças no setor. “No período em que a UTI estava atendendo, tivemos dois pediatras permanentes [um deles, Benhur Batista] e outros três ou quatro fazendo plantões esporádicos. Agora remontamos a equipe, temos cerca de nove a dez médicos á disposição, dentro da legislação”, garante.
O Hospital de Caridade prossegue enviando relatórios de capacitação da equipe de enfermagem e da capacitação dos médicos para a Secretaria de Saúde do Estado. A instituição deve passar por um processo de esterilização nesta semana, e poderá ser avaliada pela Vigilância Sanitária nos próximos dias. Porém, Fernando Gomes prefere não estipular prazo para a reabertura da UTI neonatal.
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02-03-2012 - 11h39min
UTI neonatal de Canguçu aguarda contratação de médicos para voltar a funcionar
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