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26-07-2013

Aos 79 anos, agricultor é exemplo de dedicação ao cultivo da terra


Foto: Xiru Gonçalves Rodolfo Neitzke, acompanhado da mulher Ilma, revela o gosto pela agricultura e a identificação com a atividade que marcou sete décadas de sua vida.

Num tempo de crescente mecanização da agricultura, a história de um dos agricultores mais antigos da localidade do Faxinal, no 3º distrito, parece abrir um recorte no tempo.  A trajetória de uma vida inteira dedicada ao cultivo da terra começou em Santa Coleta, 7º distrito de Pelotas. Lá nasceu Rodolfo Neitzke, neto de imigrantes alemães, cuja memória lúcida se mistura às sementes e colheitas que passaram por suas mãos. “Sempre fui agricultor. E ainda hoje sinto saudade. Tem dias em que me dá vontade de voltar para a lavoura”, conta emocionado, o aposentado de 79 anos.


O bom-humor e a calma estão na forma franca de expressar o que pensa. A hospitalidade logo surge no convite para um mate. Entre uma e outra história, seu Rodolfo enrola um cigarro. Com voz pausada e memória lúcida, seu relato é repleto de detalhes. O agricultor ainda lembra do morro que fez parte de sua infância rural, no interior de Pelotas. Para trás, ficou o sonho, nunca realizado, do menino que queria chegar ao topo daquele cerro. Mas Rodolfo Neitzke foi mais longe.




O terceiro filho de uma família de sete irmãos já perdeu as contas das mudanças que fez. Hoje, aposentado, ele lembra o tempo em que a família não tinha terras e precisava dar um terço ou a metade de toda a produção para o proprietário da área. A busca por lavouras para cultivo tornava nômade a vida dele e de dona Ilma, sua esposa. Mas o esforço era necessário. O casal teve 11 filhos e toda a família dependia da agricultura. “Plantávamos de tudo: feijão, batata, milho, trigo. Criei 11 filhos e não achava difícil manter a família. Nunca tivemos trator ou maquinário. Eram apenas nossos braços, os bois e os cavalos”, recorda.


Na época dos moinhos coloniais, dona Ilma lembra que o pão para alimentar os filhos era produzido a partir do trigo cultivado pela própria família. Os agricultores mantinham um estoque de sementes, o que garantia independência em relação às variações de mercado e ao alto custo praticado atualmente por monopólios do setor. “Naquele tempo, a agricultura era mais fácil. A gente plantava, colhia e vendia bem. Agora a gente planta e, muitas vezes, não acha nem para quem vender. O preço é muito baixo. Se colher bem, não vale nada”, relata a agricultora.


Com 79 anos, Rodolfo Neitzke acredita que o trabalho na lavoura valeu a pena. Dona Ilma, quatro anos mais jovem, concorda. Depois de 57 anos de casamento, os dois quase perderam a conta do tamanho da família: 11 filhos, 23 netos e quatro bisnetos. Morando a vida inteira no interior, o casal revela que já pensou em mudança. “Às vezes dá vontade de mudar, mas penso que aqui fora a gente tem nossa liberdade de ir para onde quiser. Então acabamos ficando”, conta o morador.


Sem apontar uma receita para a longevidade saudável, dona Ilma confidencia que o marido nem sempre costuma cumprir as orientações médicas. Foi assim em relação ao cigarro, proibido pelos médicos e que continua presente no cotidiano de seu Rodolfo. Na alimentação, o morador assume um hábito considerado pouco saudável. “Sempre gostei de comida gorda. Esses tempos carneei um porco e meus netos acharam muito gordo. Mas eu gostei”, revela o aposentado. Depois da aposentadoria, os compromissos diminuíram. Nem por isso seu Rodolfo deixou de acordar cedo. O agricultor costuma levantar às 7h para tomar mate. É nessas horas que sua memória voa longe para reencontrar um tempo não tão distante, onde os alimentos consumidos pela família vinham da lavoura cultivada por ele.


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