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Aposentado de 63 anos começou a dirigir aos 15 e trabalhou como caminhoneiro, motorista de ônibus e taxista
Aos 15 anos o menino Rugard Wachholz dirigiu pela primeira vez um caminhão. A necessidade de transportar produtos coloniais para o armazém da família aliada a pouca fiscalização da época permitiu que o adolescente se tornasse um caminhoneiro-mirim. A habilitação veio mais tarde, três anos depois, em 1969. E começava, então, a história do profissional que hoje soma quase cinco décadas no volante. Alfredo Wachholz – pai de Rugard e de outros oito filhos – era proprietário de um armazém na localidade de Solidez, 1º distrito. Ali, o menino cresceu e descobriu a paixão pelas estradas. Num período em que as casas comerciais vendiam tecidos, ferragens e até medicamentos, Rugard era responsável por recolher produtos agrícolas na região e armazená-los no depósito do comércio. A tarefa não era fácil, especialmente num período de estradas precárias no interior.
“No início dos anos 60 e 70 praticamente não havia estradas. Eram só corredores. Em época de chuva, pá e enxada eram ferramentas fundamentais no caminhão. A sequência de atoleiros era impressionante”, recorda o ex-caminhoneiro, que permaneceu na profissão por 23 anos, até 1992. No começo da década de 70, Rugard viu de perto o surgimento do cultivo da soja na região. Como nem sempre as estradas permitiam que o caminhão chegasse próximo à carga, muitas vezes as sacas eram transportadas sobre a cabeça a uma distância de até 50 metros.
O maior susto ocorreu em 1975, no caminho para Caçapava do Sul (RS). O caminhoneiro ia buscar uma carga de calcário e, cansado, acabou vítima do sono. O caminhão subiu um barranco e virou na pista, mas ninguém ficou ferido. Hoje o motorista recorda com bom-humor o episódio. “É uma história ruim, mas aconteceu. No acidente uma porta trancou e a outra ficou para cima. E eu fiquei igual um tico-tico lá dentro, querendo sair e não encontrava o jeito (risos)”, relembra o caminhoneiro, que nunca foi assaltado e nunca usou armas nas viagens. Anos depois, o trabalho duro deu lugar a uma tarefa de grande responsabilidade. Em 1992, pelo conhecimento que tinha das estradas, Rugard foi convidado pelo então prefeito Domírio Camargo para coordenar o setor durante sua gestão. A atividade, que durou quatro anos, não afastou o motorista do volante. “Para conferir como estavam as estradas, eu também precisava estar nelas”, explica.
E as estradas que um dia entraram no cotidiano do menino de 15 permaneceram demarcando a trajetória do já experiente condutor. Foi assim quando, em 1997, Rugard iniciou o trabalho como motorista de ônibus, na empresa Santa Bárbara. Além de conhecer praticamente todo o Estado, a função lhe rendeu inúmeras amizades. Aos 63 anos – e aposentado desde 2009 – o motorista decidiu buscar alguma atividade para ocupar as horas vagas. Diferente de muitos que procuram na aposentadoria um distanciamento do antigo cotidiano, Rugard Wachholz optou por continuar dirigindo. E se tornou taxista. O novo trabalho marcou o reencontro com antigos amigos. Muitos deles embarcam no táxi de “seu Rugard” de surpresa. Entre uma corrida e outra, o tempo é sempre curto para percorrer as estradas vivas da memória.
Entre caminhão, ônibus e táxi, o motorista de quase cinco décadas não consegue definir a preferência. Mas ele sabe que o volante e as estradas são parte de sua vida e não pretende se afastar deles. “Eu peço a Deus que me dê sempre essa saúde e que a hora que ele quiser me levar, que seja meio de vez. Porque a gente sonha né, e isso tudo faz parte da minha vida”, define o motorista, que aprendeu a dirigir aos 13 anos.
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