Segunda, 06 de julho de 2026, 17:58h
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Apesar de o homem ser sempre lembrado por estar à frente da produção de alimentos e insumos, atuando na propriedade e fazendo com que seu produto chegue à mesa da população, as mulheres, produtoras rurais, colonas ou da cidade, também tem um papel importante nas tarefas do campo. Com a sensibilidade feminina os detalhes são percebidos, a capacitação se torna mais forte e a produção pode até melhorar. É nisso que o grupo das produtoras rurais do Sindicato Rural acredita. Levar a mulher, produtora rural da cidade e a colona que vive no interior do município, para uma integração onde o seu trabalho também seja destacado.
O grupo já existe há alguns anos, mas no início de 2013 houve uma modificação e agora há uma presidente, Maria Lúcia Caetano Abreu, e comissões surgiram. São cerca de 30 mulheres que se reúnem a cada dois meses para falar de ovinocultura, gado de corte, gado de leite, cavalo crioulo e produção de arroz. As reuniões servem para que, através de cursos, o conhecimento sobre cada setor da agricultura e pecuária sejam repassados, e novas práticas aprendidas. “A mulher tem essa coisa de querer trabalhar em conjunto, de querer tornar a produção algo mais profissional. Por que isso não pode ser feito pelas mulheres? Nós também devemos ter voz ativa no campo”, diz Elisa Roloff, responsável pela comissão da ovinocultura, que tem 12 mulheres participantes e faz parte da Associação de Ovinos e Caprinos de São Lourenço do Sul (APOCSUL).
A principal ideia é a união de produtoras que vivem na cidade e no interior. “O agricultor familiar é o maior produtor em São Lourenço e a ideia é que por meio de seminários e reuniões os grupos possam de unir”, disse Elisa. Conforme ela, as produtoras rurais discutem desde a produção dentro do campo ao que pode ser feito além, como o artesanato ou eventos que promovam o trabalho dos próprios produtores. “Cada comissão expõe seus relatos e ajudam outras mulheres a saberem mais sobre o próprio trabalho ou sobre o trabalho de marido e familiares. Acaba acontecendo tudo de forma mais familiar”, disse Maria Laura Saalfeld, organizadora da comissão do gado de corte, que afirmou que há também mulheres que trabalham diretamente no campo, sem auxílio de nenhum membro masculino da família.
A ideia da comissão do gado de corte, visão adotada pelas demais comissões, é mostrar todo o ciclo de produção, desde a compra, as condições do campo, suplementos, alimentação, a raça, para então chegar ao produto final, para a comercialização. “As reuniões são abertas também aos homens, apesar de a maioria ser composta de mulheres. Por isso é importante saber todo o processo de produção até o momento do abate, no caso do gado. Para a mulher é interessante tanto para comercialização do produto quanto em casa, para saber o que é possível fazer para mudar a alimentação da sua família”, diz Laura. Para quem acha que a mulher do campo só trabalha dentro de casa, é hora de rever conceitos. Elas estão aí pra agregar, dar continuidade à produção e auxiliar ou, até mesmo, comandar uma propriedade.
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