Segunda, 06 de julho de 2026, 16:55h
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Cada vez mais presentes no trânsito, os ciclistas vêm ocupando seus espaços e modificando a mobilidade urbana das cidades. Pelotas é um dos municípios do Estado que mais tem apresentado alternativas e projetos de incentivo aos motoristas das “magrelas”: no início deste mês a prefeitura sancionou leis que investirão R$ 96 milhões em mobilidade, contando com ciclofaixas para a área central da cidade entre outras modificações.
Para o microempresário e estudante de Turismo na UFPel, Cyro Carlos Fagundes, Pelotas é perfeita para pedalar. “A cidade foi projetada como um tabuleiro de xadrez, uma rua vem e a outra vai, tudo é praticamente plano, mas o município em si não auxilia nisso”. Fagundes começou a pedalar há dois anos e realiza quase todas as atividades na cidade de bicicleta. “Passei 10 anos no sedentarismo. Tive um problema de saúde e consegui superar com o uso da bicicleta. Melhorou meu rendimento, minha vida. Hoje eu não consigo deixar de usar a bicicleta”, disse.
O único trajeto ainda não realizado por Fagundes é do trabalho até a faculdade, devido à falta de segurança. “Os projetos para a mobilidade na cidade tem que sair do papel, não há espaço para as bicicletas nas ruas, está tudo abarrotado de carros, talvez agora com um rotativo na área central isso melhore”, afirmou. O microempresário vislumbra um projeto para a área central da cidade, que transformaria os prédios antigos em estacionamentos públicos e criaria ciclofaixas e bicicletários em diversos pontos de Pelotas. “Isso incentivaria as pessoas, mas envolve a burocracia do dinheiro público”, completou.
Segundo Horacio Severi, tradutor público, professor de idiomas e idealizador do Movimento dos Usuários de Bicicletas de Pelotas (MubPel), a situação da mobilidade urbana avançou bastante. “Mas ainda precisamos mais. Nunca podemos ficar satisfeitos e conformados, tudo é dinâmico e precisamos estar à frente”, disse. O grupo foi criado por Severi em 2004 para promover debates com a sociedade sobre as dificuldades de locomoção por meio de bicicleta em Pelotas e promover ações nos meios público e privado, sendo um dos impulsionadores dos avanços sobre o tema na cidade.
Porém, os grupos pelotenses são apenas um dos fatores de incentivo ao ciclismo. Tanto Fagundes quanto Severi acreditam que a convivência entre os motoristas de carro e ônibus com as bicicletas tem melhorado aos poucos, principalmente por influência dos grupos e crescimento dos adeptos às magrelas na cidade. “Eles [os carros] param, deixam a gente passar, dão preferência”, disse Fagundes, e o idealizador do MubPel completou: “dando o exemplo e respeitando as leis de trânsito conseguimos agregar simpatizantes”.
Além da otimização de tempo, não enfrentar congestionamentos, ajudar o meio ambiente e economizar com passagens ou gasolina, o maior destaque para o ciclismo como meio de locomoção urbana é o benefício da saúde. “Somos obrigados a nos deslocarmos para as atividades, e ao mesmo tempo fazemos um exercício que traz bem-estar e vitalidade como incentivo”, disse Fagundes.
Hoje, alguns dos grupos de ciclismo em Pelotas chegam a agregar 120 pessoas pedalando juntas durante as atividades, um crescimento de 50% em relação há dois anos, segundo os participantes mais antigos. Para Severi, basta mudar de ótica e se colocar no lugar do ciclista para perceber o aumento da qualidade de vida que a atividade traz. Mantendo seu perfil de incentivador do ciclismo na cidade, Fagundes conclui: “nos grupos todos estão melhorar de vida, vale a pena participar. Todos os modelos de bicicletas servem para as pedaladas, não precisa ter nenhuma ‘Ferrari’ das bicicletas, só basta ter vontade”.
Alguns grupos de ciclismo em Pelotas
MubPel - Movimento dos Usuários de Bicicletas de Pelotas, incentivam ações de ciclismo e corrida na cidade. As pedaladas normalmente arrecadam agasalhos ou alimentos para entidades e o grupo também debate ações para a melhora nas condições de mobilidade urbana.
Pedal Curticeira - Promovem ações que disseminam a cultura da bicicleta. Realizam pedaladas semanalmente, as terças e sábados, com diferentes níveis de dificuldade. Organizam atividades de práticas sustentáveis relacionadas ao esporte, lazer, mobilizações e outras ações relacionadas ao desenvolvimento do ciclismo em pelotas.
Pedal Domingueira - Para aqueles que não podem pedalar durante a semana. Contam com aproximadamente 50 pessoas de todas as idades e realizam atividades no domingo pela manhã.
Pedal Confirmados - Organizam pedaladas mais extensas, de 70 a 80 quilômetros.
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