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Em 29 de outubro de 1923, numa segunda-feira, no contexto da Revolução de 1923, o general revolucionário José Antônio Mattos Netto (Zeca Netto), atacou Pelotas, de surpresa, ao alvorecer.
A imprensa sempre anunciava ataques sobre determinados objetivos que não se concretizavam; este seria um dos motivos a explicar a surpresa de seu ataque a Pelotas, pois Zeca Netto, nessa terceira tentativa, agora bem sucedida, de atacar Pelotas, reeditava assim o feito de seu tio, general Antônio de Souza Netto, que na Revolução Farroupilha, 87 anos antes, havia conquistado Pelotas, com a sua divisão liberal. Conquistar Pelotas, a segunda cidade do estado e centro de operações do Governo do Estado, fora um objetivo visado em três ocasiões pelos revolucionários para chamar a atenção do Brasil para a causa pela qual lutavam e tentar assim uma intervenção federal no estado. Pelotas era um local com muitos adeptos à causa revolucionária e a ela forneciam armamentos, munições e informações preciosas sob o dispositivo defensivo militar governista. Informações que permitiram a Zeca Netto, desta vez, planejar e executar seu ataque sobre os objetivos que conhecia em detalhes.
No dia 28 de outubro, pela estrada da Cascata, atingiu a meia noite, no Passo do Salso, a Chácara do Dr. Francisco Amarante, distante 12 km de Pelotas. Ali, Zeca Netto expôs sua ideia de manobra: ataque simultâneo de três objetivos, impedindo ligação e apoio recíprocos dos mesmos. Ao clarear do dia atingiram a Tablada, na atual região das Três Vendas. Ao centro ia o general Zeca Netto com seu Estado Maior. Logo depois, o Posto de Comando revolucionário foi estabelecido no antigo Hotel Colonial, na rua Manduca Rodrigues (atual largo Vemetti).
Os ataques atingiram de surpresa seus objetivos quase ao mesmo tempo. Às 10 horas da manhã, o general Zeca Netto avançou a trote largo na direção da praça da República para tomar a Intendência. Em caminho, na rua Paissandu, foi feito uma descarga na direção do general Zeca Netto (partindo de um Posto Policial na rua Padre Felício). Ai Zeca Netto blefou com ordem para incendiá-lo. Um popular ouvindo isto correu a avisar os defensores do posto dizendo que se entregassem não morreriam queimados E os defensores gritaram: “Se nos garantem as vidas, nos entregamos”. E se entregaram, sendo recolhidas as suas armas e colocados em liberdade.
Removida esta resistência, o general Zeca Netto rumou para a Intendência, sendo aclamado por onde passava e em delírio na Praça da República (atual Pedro Osório) onde foi recebido com discursos. O general Zeca Netto boleou a perna de seu zaino escuro e subiu as escadas da Intendência tendo sido o seu ponche cortado em franjas por senhoras e moças, como lembrança. Na Intendência, o general Zeca Netto hasteou a bandeira nacional. Em seguida, em seu salão nobre, foi lavrada a ata de tomada de Pelotas. E mais “foi passado em seu nome um telegrama ao presidente da República Dr. Arthur Bernardes de que uma coluna revolucionária havia se apoderado da segunda cidade do estado”.
Às 16 horas, a força atacante foi reunida. Em seguida, foram até o comandante da Guarnição Federal, neutra na disputa, para entregar-lhe Pelotas à sua guarda e proteção. A coluna do general Zeca Netto foi reunida na Tablada, próximo do atual aeroporto, ao entardecer, e dali partiu rumo a São Lourenço do Sul.
Continuem acompanhando as nossas colunas, pois ainda temos muito a relatar.
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