Domingo, 19 de julho de 2026, 00:36h
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Duas pessoas próximas enfrentam o mal do século: a depressão. Uma delas combate um câncer de mama e, preventivamente, utiliza medicação para vômito e minimizar os efeitos da depressão. A outra, idosa, chegou à doença sem que a família se desse conta dos sintomas que estavam formando o quadro.
A depressão é o momento em que se experimenta com mais intensidade a solidão. Pode-se fazer adequadamente um diagnóstico, saber quais são as receitas para superar os momentos de crise, mas se é incapaz de dar, sozinho, o primeiro passo. O silêncio e as ausências são o grito num pedido desesperado de socorro.
Os idosos superam com mais dificuldades porque não se prepararam para viver só. Uma vida inteira investiram forças na família, amigos e convívio social. O final não foi previsto: o tempo que embaçou seus olhos também varreu para longe ou para além da vida aqueles que um dia amou.
Um tratamento de quimioterapia é, dos males, o menor. Para quem tem um plano de saúde há tropeços, mas pode ter uma visão mais clara dos benefícios. No serviço público, uma aventura, com a falta de estrutura, de profissionais e medicação. A mesma paciente conviveu com duas outras tratadas pela rede governamental. Infelizmente, a morte chegou por falta do atendimento adequado.
A depressão é a negação da própria identidade. É difícil dizer o que é possível, mas o pouco que se pode fazer é o aprendizado de uma criança começando a andar: devagar, claudicante, testando cada passo. Um longo caminho onde o fundamental é não deixar que morra a esperança. De toda uma vida resta quase nada, mas é o fio condutor que dá uma nova razão para coisas e situações que parecem velhas.
O idoso, na maior parte das vezes, precisa redescobrir que há pessoas na sua volta tentando lhe dar razão para viver. E que repousar na eternidade é entre ele e Deus. Para quem está em tratamento, o recomeço está em beber sorrisos, mãos que se entrelaçam, abraços apertados, vida que busca, num lugar perdido do coração, a razão para amar - única fórmula capaz de dar sentido à grande e terna aventura que é viver.
No filme “Os Meninos que Enganavam os Nazistas”, o personagem Jô lembra do pai, morto nos campos de concentração: “quando morre um homem bom há uma estrela que se ilumina no céu e é preciso manter viva a esperança”. É neste momento que a fragilidade de quem pensa em desistir necessita de família - e não de parentes.
Na verdade, uma "constelação" que garanta a energia positiva e a certeza de não morrer a chama nos olhos de quem já fez a diferença: sorrindo com uma lágrima nos olhos, estendendo a mão quando já não havia mais forças, gastando o pouco da vontade que lhe resta no aperto de um abraço onde pulsam juntos dois corações.
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