Domingo, 19 de julho de 2026, 00:37h
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Semana passada, recebi mensagem pelo Facebook falando a respeito do aniversário de 11 anos de falecimento do filho de amigos. Para marcar a data pediam que pessoas partilhassem de experiências vividas pela perda de um ente querido ou a superação de um câncer. Minha família esteve envolvida nas duas: no mesmo dia em que recebi a mensagem, vencemos, quando resultados de exames mostraram que o material coletado de um ente querido era benigno. O alívio leva a sorrisos, entre lágrimas.
Em momentos difíceis como os que estamos vivendo agora com minha mãe - 87 anos, debilitada fisicamente - teríamos que passar por todo um calvário que enfrentamos durante quase um ano, até março do ano passado, quando meu pai faleceu, vítima de um câncer de pulmão. Lembrando, agora, com algumas feridas cicatrizadas e outras ainda sendo tratadas, fica o sentimento de que, quando da partida, viramos quase zumbis: não sabíamos bem o que fazer, porque conviver com a doença e alcançar forças àquele que era o portador, havia se tornado parte das nossas vidas. Pode parecer estranho, mas ficamos reféns da doença.
O impressionante é que, mesmo que nos preparemos para envelhecer - o que é natural - porque isto começa a acontecer quando nascemos, não conseguimos nos preparar para a perda dos mais próximos, em nível de família, círculo de vizinhança ou amigos: buscamos um olhar, um sorriso, uma palavra sussurrada ou apenas, no sono, o arfar de uma respiração. Detectado no seu início, o câncer, hoje, já não assusta tanto. No entanto, para vencer o ciclo da doença, há um longo caminho a ser percorrido. Nele, muitos ainda vão ficar para trás, e, nas salas de tratamento, encontramos crianças, jovens e idosos precisando de consolo e de afeto, marcando presença e, na própria debilidade, encontrando uma razão para viver.
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