Domingo, 19 de julho de 2026, 00:35h
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Foi na saída de uma missa. Conversávamos sobre idade e a Volanda disse que as filhas não lhe davam a idade que realmente tem. Argumentei que para os mais próximos é difícil, já que nos acompanham e, da mesma forma que a gente, não notam as linhas do tempo se acentuando, como fazem aqueles que ficam algum tempo distantes.
Também tenho percebido isto de pessoas que souberam organizar sua vida afetiva, emocional, física e espiritual. Mantêm o mesmo frescor e são jovens, mas o tempo esqueceu de avisar aos corpos para que não envelhecessem!
Levando uma vida tranquila, a sensação é de que, mesmo que o tempo tenha nos atingido juntos (há um dito que prega: “junta, junta tudo e bota fora!”), tendões e articulações, o espírito diz que é injusto que sejamos excluídos de muitos momentos sob a desculpa de que não podemos acompanhar os ritmos da modernidade.
As pessoas querem viver mais tempo, mas não querem envelhecer. Envelhecer é ter consciência de que o tempo passou, nossos corpos já não têm energia para assumir certas atividades no ritmo alucinante que os jovens propõem, mas podemos, sim, fazer tudo o que fazem de forma mais cadenciada, saboreando melhor cada momento.
Ainda há uma grande maioria que vê no processo de envelhecimento um fardo. Com o aumento da expectativa de vida, setores públicos e instituições religiosas, comunitárias e sociais começam a se dar conta do quanto é necessário ter políticas adequadas e ações que favoreçam um melhor estilo de vida para o idoso.
Nada disso tem sentido se o próprio idoso não se interessa pelo seu desenvolvimento. Depois de nascer, a única coisa certa é a morte. Neste meio tempo pode-se esperar por ela assustado com a sua perspectiva ou usufruir de cada momento com um prazer indizível de quem sabe que não apenas passa pela vida, mas a aproveita sofregamente!
Do que ouço e observo com os meus pares (sim, eu também já me considero um idoso - e com muito prazer), afiar a inteligência, juntamente com a atividade física e espiritual, formam um conjunto que não deixa cair no determinismo de que, no ocaso da vida, é tempo apenas de purgar por aquilo que fizemos.
Prefiro a imagem do Pequeno Príncipe: a doçura de um pôr de sol está na mistura de felicidade e nostalgia que nos traz. Muitos anos já vividos, muitas marcas deixadas e recebidas. Mas a sensação é de que a saudade faz do presente um tempo intenso para se continuar a exercer a arte mais sagrada que nos deram ao nascer: amar - e, até o último momento, buscar intensamente ser amado!
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