Domingo, 19 de julho de 2026, 00:37h
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Não prestei atenção ao debate, até que uma das palestrantes disse: “fazer educação, hoje, é correr riscos”... “a criança é um terreno fértil onde o que mais importa são os componentes culturais”. Depois, elencou a carga genética, estruturas adequadas, pais e professores preparados... que podem influenciar. Enfatizou que a maior parte do que se aprende nos primeiros anos baliza o comportamento social posterior. Isto já se sabe.
Usou três vídeos como exemplo. Já tinha visto e comentado o dos meninos - um feito na Itália e outro no Brasil - questionados pelo nome, idade entre 8 e 11 anos que, vendo uma menina, lhes solicitavam uma qualidade. Depois, o pedido era para que batessem nela. Surpresos, nenhum o fez, justificando que não se bate em mulher, que não se usa de violência com o outro, que usar da força não é digno de um homem...
Também vi o dos dois meninos amigos que desejavam confundir os conhecidos e rasparam as cabeças. Mesma altura, mesmo porte físico, mas com um pequeno detalhe: um era negro, o outro era branco. Embora lhes dissessem isto, continuavam afirmando que, sem os cabelos, haviam ficado muito parecidos!
O vídeo que não vira era de pais confrontados com a câmera e respondendo à questão: se pudessem convidar qualquer pessoa - de qualquer tempo - para jantar, quem convidariam? Foram ao mundo do futebol, do show, da política, com explicações de que se sentiriam honradas tendo um Nelson Mandela, por exemplo, à mesa.
Depois viram o vídeo feito por seus filhos. Todos - absolutamente todos - disseram que sua maior alegria seria poder sentar para jantar com seus pais e familiares. Registraram o quanto sentiam falta de ter mais tempo gasto com eles, já que, muitas vezes, em suas casas, os horários eram desencontrados, muitos sequer sentavam à mesa ou nem tinham o hábito de jantar, já que “beliscavam” alguma coisa à noite.
Pais emocionados e sem jeito... alguns ainda tentaram se explicar, mas ficou no ar a sensação de que deixar a mesa ou não criar a cultura da reunião é uma forma de eximir-se de responsabilidade: afinal, “cada qual faz o que bem quer, quando lhe der na cabeça!” E que cada um assuma as consequências, inclusive pelas omissões dos pais...
Problemas com educação são comuns. Muitos países passam por outros, sem enfrentar com tanta força a desestruturação da família, escola e religião. A reação de pais e professores confrontados é de que tem jeito, sim. Alertam: precisamos de um pacto pela educação, hoje, com resultados nas próximas gerações. A solução está na própria educação. A educação dos homens públicos, lideranças e formadores de opinião, em todos os níveis... mas, especialmente, a educação dos educadores!
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