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2019-01-24 Um precário sentido de segurança

O papa Francisco já foi o queridinho da mídia. Como dirige uma instituição que anda devagar, precisa ter um ritmo em que não permita que os mais vagarosos atravanquem a caminhada, mas também que os mais açodados não deem com os burros na água. Falando para uma igreja que está no mundo, cada grupo de meios de comunicação tenta ver sua mensagem na realidade paroquial.

Foi assim com a pregação em que fez um apelo contra as armas, quando disse: “é um absurdo falar de paz e promover ou permitir o comércio de armas”. Logo em seguida, os críticos de plantão viram um puxão de orelhas nas autoridades brasileiras que anunciavam medidas que facilitam o porte de arma. O papa se preocupa com princípios, não dita normas de comportamento para administradores locais. 

Fazer esta ponte é papel da igreja de cada país, que pede uma discussão equilibrada e sensata. O porte de armas não é uma questão do meio em si, mas daqueles que vão utilizar-se. A questão é antiga. As guerras e a violência existem não somente por motivos religiosos, ideológicos, políticos... mas, especialmente, por motivos econômicos. A advertência do papa vai no sentido de que o seu comércio é o comércio dos “senhores da morte”... “que provocam a morte de tantos inocentes!”

Guardadas as devidas proporções, também se pode trazer para a nossa realidade. Aumentar o consumo de armas incentiva uma indústria que não garante a diminuição da violência e o aumento da segurança. Ao contrário, pessoas despreparadas em casa vão ser o caminho mais fácil para que estas armas acabem em mãos erradas. Assim como nas mãos dos exibidinhos...

Francisco não é o “Sétimo Guardião”. Sua autoridade lhe é conferida por ser uma referência religiosa, moral e ética. Então, quando pede aos cristãos, especialmente aos católicos, para que se preocupem com esta situação está dizendo que há um problema bem mais amplo em que as autoridades públicas se mostram despreparadas e jogam nas costas da população uma responsabilidade que não souberam assumir.

A discussão pede uma adequação de foco: o compromisso com a paz nas ruas e demais ambientes - onde pode ser necessário o uso de armas - é do poder público.  Omisso cria uma cortina de fumaça estimulando, para muitos, um “brinquedo para adultos”. Posso estar errado, mas a maior parte da população não embarca nesta canoa. Infelizmente, o governo não consegue desarmar os bandidos e incentiva a que mais armas circulem, atordoando o nosso já precário sentido de segurança!  

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Manoel Jesus

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