Domingo, 19 de julho de 2026, 00:36h
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O Francisco Assis tem postado no Facebook imagens do seu tratamento com quimioterapia, uma das formas de combate ao câncer. Em textos sempre com algum detalhe técnico, mas também com a irreverência que lhe é peculiar, deixa os amigos a par, de um jeito em que se fica solidário tendo a certeza de que o Chico é daqueles vasos que duram, duram muito e apesar das batidas e quedas, não quebram.
A evolução na cura dos diversos tipos de câncer é inquestionável. Quem acompanha pacientes desde a segunda metade do século XX sabe que o diagnóstico era a certeza de entrar no corredor da morte. Pesquisas se desenvolveram, medicações foram testadas e tratamentos já conseguem controlar grande número de variáveis. Mas, infelizmente, continua sendo uma doença terrível e um estigma angustiante.
Os meios de comunicação têm dado destaque ao quadro médico e ao tratamento necessário. Inclusive novelas já tiveram personagens vivendo este drama, sendo o mais emocionante quando Carolina Dieckmann (em Laços de Família) precisou se preparar para a quimioterapia e seus cabelos foram sacrificados durante longos minutos em que o Brasil suspendeu sua respiração diante da representação da dor.
Mas, para além do glamour da televisão, há a vida do dia a dia de quem enfrenta um câncer. E ela não é fácil. Em casa, vivemos a doença do meu pai, vitimado por um câncer no pulmão. Depois foi a vez de minha irmã acusar um caroço na perna. Por fim, precisei extirpar um câncer de próstata. É um longo tempo de espera, tratamentos e incertezas porque, à frente, se lida com a perspectiva de perder a vida.
Os estigmas são neutralizados quando se consegue entendê-los e lidar com os seus efeitos. Mas ainda há uma distância a ser percorrida para que as pessoas não transformem doentes em párias. Essa é uma luta que não tem sentido sozinha. Embora hoje os números sejam bem melhores - entre as crianças a cura chega a 80% - o doente precisa é de esperança. A própria e aquela que o cerca dizendo que, muitas vezes, em meio a tubos e cateteres, ainda vale a pena buscar um olhar de cumplicidade na dor.
Desde que criou a ADOTE (Aliança Brasileira de Doação de Órgãos e Tecidos), o Chico sabia dos obstáculos, mas que há também uma rede de solidariedade conspirando a seu favor. Agora não vai ser diferente. Ele vai sobreviver a mais esse desafio que a natureza do seu corpo impôs. Foram muitos momentos em que teve que cuidar da sua própria saúde, assim como de seus familiares, com uns ganhando e com outros tendo que partir. Por tudo o que diz, está vivendo um dia de cada vez. Ainda é capaz de ensinar que, quando a tempestade passa, também se pode dançar na chuva!
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